Brasil tem menos homens do que mulheres, e diferença aumenta com a idade

Por Redação 17/04/2026, às 21h08 - Atualizado 18/04/2026 às 07h29

Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17), confirmam um desequilíbrio na distribuição por sexo no país. Atualmente, existem 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil.

A disparidade se torna ainda mais acentuada em faixas etárias mais elevadas e em determinados estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, entre pessoas com mais de 60 anos, a proporção cai para 70 homens a cada 100 mulheres. Em São Paulo, na mesma faixa etária, são 76 homens para cada 100 mulheres.

Os números seguem uma tendência já apontada pelo Censo de 2022, quando o país registrou cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens. Eram 104,5 milhões de mulheres contra 98,5 milhões de homens. Especialistas atribuem essa diferença principalmente à maior mortalidade masculina em decorrência de causas externas, como acidentes e violência, além de hábitos menos frequentes de cuidado com a saúde.

A série histórica da PNAD mostra que esse cenário não é recente. Desde 2012, as mulheres já eram maioria na população brasileira, representando 51,1%, contra 48,9% de homens. Essa proporção se manteve estável ao longo dos anos, com pequenas variações. Em 2019, por exemplo, passou para 51,2% de mulheres e 48,8% de homens, mantendo-se próxima desse patamar até 2024.

Embora nasçam mais homens do que mulheres, uma diferença natural que varia entre 3% e 5%, esse quadro se inverte ao longo da vida. No Brasil, a população feminina supera a masculina a partir dos 24 anos. Isso ocorre porque, entre jovens adultos, a mortalidade masculina é significativamente maior, sobretudo por causas não naturais.

Outro fator relevante é a maior expectativa de vida das mulheres, fenômeno observado globalmente. Em geral, elas tendem a adotar hábitos mais saudáveis e a procurar assistência médica com maior frequência, o que contribui para sua longevidade.

Com o avanço da transição demográfica, marcada pela redução da taxa de natalidade e pelo envelhecimento da população, essa diferença tende a se intensificar, especialmente nas faixas etárias mais altas.

A predominância feminina é observada em praticamente todas as regiões do país. As exceções são poucos estados, como Tocantins, Mato Grosso e Santa Catarina, onde a proporção de homens ainda supera ou se iguala à de mulheres.