China dispara nas importações e conquista 26% do mercado brasileiro

Por Redação 15/07/2025, às 13h32 - Atualizado às 13h14

A China conquista liderança como principal parceira comercial do Brasil ao atingir 26% de participação nas importações brasileiras no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Icomex, do FGV Ibre. O avanço acontece pelo aumento expressivo na compra de bens de consumo duráveis, especialmente veículos, eletrodomésticos e produtos têxteis.

Em maio, por exemplo, o volume de produtos chineses desembarcados no Brasil foi 110% maior que no mesmo mês de 2024. Só o porto de Itajaí, em Santa Catarina, recebeu 7.000 carros da BYD — o quarto lote da montadora apenas neste ano. Essa tendência fortalece a presença dos carros chineses no país, que hoje representam 6% do mercado, segundo a Anfavea.

Mesmo com o reajuste nas tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos, que chegaram a 25% e 30%, respectivamente, empresas chinesas continuam optando por importar seus modelos, o que ainda se mostra mais viável do que produzir localmente. Mas a BYD agora tem uma fabrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Além do setor automotivo, os eletrodomésticos também se destacam, como geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, itens em que a China já supera concorrentes tradicionais, como Coreia do Sul e México. No segmento de bens não-duráveis, o crescimento foi de 40% em volume, puxado por produtos têxteis.

Esse crescimento, porém, vem acompanhado de queda nos preços. Segundo o levantamento, os bens de consumo duráveis renderam 18,4% a menos para os chineses em relação ao mesmo período de 2024. Os não-duráveis, 2,1% a menos. O barateamento dos produtos pressiona ainda mais a indústria nacional, que já enfrenta concorrência acirrada com margens menores. A queda da participação dos Estados Unidos nas importações brasileiras reforça essa guinada. Em 2001, os americanos respondiam por 23% das compras do Brasil — hoje, somam 16%.