Declaração final do G20 reforça aliança global contra a fome

Por Redação 19/11/2024, às 00h05 - Atualizado às 00h39

A declaração final da Cúpula do G20, divulgada nesta segunda-feira (18) no Rio de Janeiro, consolida avanços em áreas prioritárias como combate à fome, transição energética, igualdade social e reforma da governança global. Com adesão de 82 países, foi lançada oficialmente a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que visa erradicar a fome até 2030, destacando o papel central do G20 na mobilização de recursos e ações globais para essa meta.

O texto reafirma o papel do G20 como fórum de cooperação econômica, enfatizando a urgência de medidas ambientais e o compromisso com o Acordo de Paris. Entre os principais objetivos estão a neutralidade de carbono até meados do século, a triplicação da capacidade global de energia renovável e a duplicação da eficiência energética até 2030. Os líderes destacaram a necessidade de apoio financeiro e técnico aos países em desenvolvimento para fortalecer suas ações climáticas.

Uma das propostas para financiar essas mudanças é a taxação progressiva dos “super-ricos”. A iniciativa, que respeita a soberania tributária de cada nação, busca garantir que indivíduos com patrimônio líquido ultra-alto contribuam mais efetivamente para as transformações globais.

Os líderes reafirmaram o compromisso de reformar o Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais representativo, inclusivo e alinhado às demandas do século XXI. A proposta inclui a ampliação do número de membros, priorizando regiões sub-representadas, como África, Ásia-Pacífico, América Latina e Caribe. Também foram defendidas reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) e nos bancos multilaterais de desenvolvimento, para garantir maior representatividade e eficácia no apoio a países de baixa e média renda.

A declaração destacou que a desigualdade dentro e entre os países está na raiz de muitos desafios globais. O texto condenou ataques contra civis, reafirmando a necessidade de proteger a soberania e a integridade territorial dos Estados, além de ampliar a assistência humanitária em cenários de conflito, como na Faixa de Gaza e no Líbano. Também houve um forte apelo para o combate ao trabalho forçado, trabalho infantil e à violência contra mulheres.

O documento reconheceu as oportunidades e os riscos trazidos pela inteligência artificial (IA), propondo a criação de uma força-tarefa de alto nível para governança da IA. O objetivo é garantir que seu uso seja ético, seguro e respeite os direitos humanos, especialmente no mundo do trabalho.

Pela primeira vez, o G20 reconheceu a necessidade de mobilização de recursos para saneamento básico e acesso universal à água potável, reforçando a importância da infraestrutura social para melhorar a qualidade de vida e reduzir desigualdades.

Sob o lema “Construindo um mundo justo e um planeta sustentável”, a presidência brasileira do G20 trouxe pautas que colocam a equidade social e a sustentabilidade no centro das discussões globais. A cúpula reafirma que a superação de desafios globais depende de ações conjuntas e multilateralmente acordadas, reforçando a posição do G20 como um pilar essencial na promoção do desenvolvimento global.