Desabastecimento de vacinas atinge 65% dos municípios brasileiros, aponta CNM

Por Redação 29/12/2024, às 06h03 - Atualizado 28/12/2024 às 17h39

Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revelou que o desabastecimento de vacinas essenciais do calendário nacional persiste em 65,8% dos municípios brasileiros. A pesquisa, realizada entre 29 de novembro e 12 de dezembro com 2.895 municípios, expõe a gravidade do problema, que afeta a proteção da população contra doenças como varicela, covid-19, difteria, tétano, coqueluche e outras.

Entre os imunizantes em falta, a vacina contra a varicela lidera o desabastecimento, ausente em 52,4% dos municípios pesquisados (1.516). A vacina contra a covid-19 para adultos ocupa o segundo lugar, com 25,4% das cidades (736) relatando escassez, em média há 45 dias. A DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, aparece como a terceira mais ausente, indisponível em 18% dos municípios (520), com períodos de até 60 dias sem doses, conforme relatório da CNM divulgado na última sexta-feira (27).

Esse cenário ocorre em um momento crítico. A primeira semana de dezembro registrou um aumento de 60% nos casos de covid-19, com 20.287 notificações entre 1º e 7 de dezembro, segundo o Painel Covid-19 do Ministério da Saúde. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, criticou a irregularidade dos estoques. “A União precisa responder por essa situação, pois é sua responsabilidade garantir o fornecimento das vacinas”, declarou.

A falta da vacina DTP é especialmente alarmante diante do aumento de casos de coqueluche no Brasil. Em 2024, a doença apresentou crescimento de quase 2.000% em comparação a 2023, com 4.395 casos confirmados até 27 de novembro, o maior número desde 2014. Entre os casos, 17 evoluíram para óbito, sendo 16 em crianças menores de um ano.

Outras vacinas em falta incluem a Meningocócica C (ausente em 12,9% dos municípios), a Tetraviral, que combate sarampo, caxumba, rubéola e varicela (11,6%), e a da febre amarela (9,7%).

Estados mais afetados

Santa Catarina lidera proporcionalmente o desabastecimento, com 87% dos municípios relatando falta de vacinas. O estado é seguido pelo Ceará (86%), Espírito Santo (84%) e Minas Gerais (83%).

A pesquisa também comparou dados com o levantamento realizado em setembro, mostrando piora no cenário. Entre os municípios que participaram das duas edições, a falta de vacinas aumentou de 65,1% para 67,1%.

A ausência da vacina contra a varicela passou de 900 municípios para 962. As vacinas contra a covid-19 para adultos estavam fora de estoque em 189 municípios em setembro e agora em 468. A falta da DTP aumentou de 208 para 338 municípios, um crescimento de 62%.

Impactos e soluções

Especialistas alertam que o desabastecimento pode gerar um aumento no número de surtos de doenças evitáveis, além de comprometer a confiança da população nos programas de imunização. A CNM também destaca a necessidade de reforçar campanhas de conscientização sobre a importância da vacinação, mas ressalta que essas estratégias só serão eficazes com a regularização do fornecimento dos imunizantes.

Ziulkoski reforça o apelo ao governo federal: “O desabastecimento de vacinas não é apenas uma questão administrativa; é uma crise de saúde pública que coloca vidas em risco. É essencial que o Ministério da Saúde tome medidas imediatas para solucionar o problema e evitar um agravamento ainda maior da situação.”