Desastres climáticos no Brasil crescem 250% em quatro anos, aponta estudo

Por Redação 28/12/2024, às 22h02 - Atualizado às 17h31

Um estudo lançado pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica revelou um aumento alarmante de 250% nos desastres climáticos no Brasil entre 2020 e 2023, em comparação com os registros da década de 1990. Coordenado pelo Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Unesco, com apoio da Fundação Grupo Boticário, o levantamento detalha os impactos do aquecimento global no país.

Os dados, extraídos do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) e da agência europeia Copernicus, mostram que, para cada aumento de 0,1°C na temperatura média global do ar, ocorrem 360 desastres climáticos adicionais no Brasil. Já no oceano, o mesmo aumento resulta em 584 eventos extremos.

Os números são expressivos: entre 1991 e 2023, o Brasil registrou 64.280 desastres climáticos. Nos anos 1990, a média era de 725 registros anuais. Nos últimos quatro anos, esse número saltou para 4.077 registros por ano. Entre os principais eventos estão secas (50%), inundações e enchentes (27%) e tempestades (19%).

Aquecimento oceânico

Desde março de 2023, o oceano apresentou um aumento de temperatura entre 0,3°C e 0,5°C, agravando eventos como furacões e inundações. O professor Ronaldo Christofoletti, da Unifesp, destacou que o aquecimento do oceano é uma ameaça ao equilíbrio climático global.

“Em 40 anos, o oceano aqueceu cerca de 0,6°C, o que intensifica desastres climáticos e afeta diretamente milhões de pessoas. O oceano regula o clima do planeta, e seu aquecimento contínuo é um sinal alarmante da crise climática”, afirmou.

Impactos econômicos e sociais

Os desastres climáticos no Brasil também têm causado prejuízos financeiros expressivos. Entre 1995 e 2023, as perdas econômicas somaram R$ 547,2 bilhões. Apenas nos primeiros quatro anos da década de 2020, os prejuízos chegaram a R$ 188,7 bilhões, 80% do total registrado na década anterior.

Projeções baseadas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam cenários preocupantes:

No melhor cenário, com o cumprimento das metas do Acordo de Paris, o Brasil pode registrar 128.604 desastres climáticos entre 2024 e 2050.

No cenário pessimista, com aquecimento global superior a 4°C, o número pode ultrapassar 600 mil até 2100, com perdas econômicas superiores a R$ 8,2 trilhões.

Soluções e adaptações

Apesar das projeções, o estudo aponta caminhos para minimizar os impactos. Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, ressaltou a importância de investir em resiliência e adaptação.

“Solucionar a crise climática exige esforços globais coordenados. Soluções baseadas na natureza, como a recuperação de manguezais e dunas, são ferramentas eficazes para aumentar a resiliência de cidades costeiras, enfrentando desafios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada”, explicou.

Além disso, Bumbeer alertou para os efeitos secundários do aumento das temperaturas, como a alta nos custos de energia e alimentos, a escassez hídrica e o avanço de doenças relacionadas ao calor, como a dengue.

“A hora de agir é agora. Fortalecer a resiliência da natureza e da humanidade é essencial para construir um futuro sustentável e seguro para todos”, concluiu.