Às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, o Brasil apresenta resultados expressivos na luta contra a epidemia. O Ministério da Saúde anunciou na última semana que o país atingiu 96% de diagnósticos de pessoas vivendo com HIV, superando a meta global estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2025. Esse marco coloca o Brasil entre os países que mais avançaram no enfrentamento da aids, ao lado das metas 95-95-95 da ONU, que incluem 95% de diagnóstico, 95% em tratamento antirretroviral e 95% em supressão viral.
Com esses avanços, o Brasil cumpre duas das três metas globais: além dos diagnósticos, o país já atingiu 95% das pessoas em tratamento com carga viral controlada. O índice de adesão ao tratamento antirretroviral, no entanto, ainda está em 82%, representando o principal desafio para o alcance integral das metas.
“Esses números refletem um esforço coletivo em expandir o acesso a testes rápidos, promover campanhas de conscientização e implementar políticas inclusivas de saúde”, destacou o Ministério da Saúde. Em apenas um ano, o percentual de diagnósticos subiu de 90% para 96%, consolidando o Brasil como referência no enfrentamento ao HIV.
Outro destaque das ações em 2024 é a atualização do Guia para Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical, que busca erradicar a transmissão de doenças de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação. Além de sífilis e HIV, o guia agora inclui hepatite B, Doença de Chagas e, a partir de 2025, o HTLV.
Publicado neste ano com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), o guia estabelece critérios rigorosos para certificação e boas práticas. A certificação de eliminação é um reconhecimento para estados e municípios que demonstram redução significativa na transmissão vertical.
Enquanto o processo para hepatite B já está em andamento e a Doença de Chagas está em fase piloto, a inclusão do HTLV no próximo ano reforça o compromisso do Brasil em ampliar o combate às doenças transmissíveis.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta barreiras para ampliar a adesão ao tratamento antirretroviral. Estigmas sociais, falta de acesso em regiões remotas e dificuldades no acompanhamento dos pacientes são desafios que precisam ser superados para atingir a terceira meta da ONU.
“O diagnóstico e a supressão viral são grandes conquistas, mas é preciso intensificar os esforços para garantir que todos os diagnosticados tenham acesso contínuo ao tratamento”, afirmou o Ministério da Saúde.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é um momento de reflexão e mobilização global. Instituído em 1988 pela ONU, a data tem como objetivo reforçar a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e da eliminação do estigma que cerca as pessoas vivendo com HIV.
No Brasil, os avanços apresentados reafirmam a liderança do país na luta contra a epidemia. Com iniciativas voltadas para o diagnóstico, tratamento e educação, o país demonstra que é possível transformar vidas e reduzir os impactos da aids como problema de saúde pública.