Dívida Pública Federal atinge recorde e ultrapassa R$ 7,6 trilhões, puxada pelos juros

Por Redação 29/05/2025, às 00h03 - Atualizado 28/05/2025 às 17h02

A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 7,6 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. Impulsionado principalmente pela apropriação de juros, o estoque da dívida subiu 1,44% em abril, passando de R$ 7,508 trilhões para R$ 7,617 trilhões.

Mesmo com o avanço, o valor segue dentro das previsões do Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima a dívida entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões até o fim de 2025. Em junho do ano passado, a DPF já havia superado pela primeira vez a marca de R$ 7 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no mercado nacional, teve alta de 1,55%, alcançando R$ 7,31 trilhões. Em abril, o Tesouro emitiu R$ 204,46 bilhões em papéis e resgatou R$ 163,04 bilhões, com destaque para os títulos prefixados. A diferença foi reforçada pela incorporação de R$ 70,3 bilhões em juros, reflexo da Taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe), vinculada a contratos no exterior, teve leve recuo de 1,1%, caindo para R$ 306,13 bilhões. A principal causa foi a valorização do real, com queda de 1,42% no dólar em abril.

O colchão da dívida pública — reserva financeira usada para enfrentar períodos de instabilidade ou concentração de vencimentos — cresceu R$ 35 bilhões no mês, passando para R$ 904 bilhões, o maior valor desde agosto. Atualmente, a reserva cobre 8,57 meses de vencimentos. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,365 trilhão em títulos.

A composição da dívida pública sofreu alterações em abril. A participação dos títulos prefixados caiu de 21,51% para 20,23%, após forte volume de vencimentos. Já os papéis atrelados à Selic subiram para 47,3%, impulsionados pela atratividade dos juros elevados. Os títulos indexados à inflação passaram de 28,01% para 28,46%.

A parcela da dívida atrelada ao câmbio teve leve recuo, passando de 4,11% para 4,01%, mantendo-se dentro dos limites do PAF, que prevê variação entre 3% e 7% até o fim de 2025.

Investidores mantêm confiança

O prazo médio da DPF subiu de 4,12 para 4,17 anos, indicando maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos. Instituições financeiras seguem como os maiores detentores da dívida interna (30,5%), seguidas por fundos de pensão (23,9%) e fundos de investimento (22,1%). A participação de estrangeiros subiu de 9,6% para 9,7%.

A dívida pública é o principal mecanismo utilizado pelo governo para captar recursos no mercado e financiar despesas. Em troca, os investidores recebem a devolução do valor com correções atreladas à Selic, à inflação, ao dólar ou por meio de taxas prefixadas.