Dólar ultrapassa R$ 6, mas fecha em R$ 5,98 com desconfiança do mercado

Por Redação 28/11/2024, às 19h26 - Atualizado às 19h26

O dólar à vista registrou nesta quinta-feira (28) a maior cotação nominal de fechamento da história, encerrando o dia cotado a R$ 5,9891, uma alta de 1,30%. A moeda chegou a ultrapassar os R$ 6 durante o pregão, refletindo a desconfiança do mercado em relação ao pacote fiscal anunciado pelo governo federal.

Essa foi a segunda sessão consecutiva de forte pressão no mercado de câmbio. Na quarta-feira (27), antes mesmo da divulgação oficial do pacote, o dólar já havia superado a barreira de R$ 5,90, sinalizando as preocupações dos investidores com as medidas econômicas. Em 2024, o dólar acumula alta de 23,49%.

Anunciado na noite de quarta-feira (27) e detalhado nesta quinta-feira pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Rui Costa (Casa Civil), o pacote fiscal prevê cortes de gastos obrigatórios estimados em R$ 70 bilhões em dois anos: R$ 30 bilhões em 2025 e R$ 40 bilhões em 2026.

Entre as principais medidas estão:

Redução gradual do abono salarial e teto no reajuste do salário mínimo;
Reformas na previdência dos militares e fim de brechas para supersalários no setor público;
Limitação na concessão de benefícios fiscais enquanto houver déficit nas contas públicas;
Teto no crescimento de emendas parlamentares;
Isenção de Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil, sem impacto adicional nas contas públicas.
O pacote também antecipa a segunda fase da reforma tributária, que tratará do Imposto de Renda.

Reação do governo

O ministro Fernando Haddad rebateu as críticas do mercado financeiro durante a apresentação do pacote, afirmando que os analistas têm feito projeções equivocadas sobre o desempenho econômico. Segundo Haddad, enquanto o mercado previa um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%, a economia deve fechar o ano com expansão próxima de 3,5%. Ele também destacou que o déficit fiscal projetado pelo governo é de 0,25% do PIB, significativamente menor que o rombo de 0,8% estimado pelo mercado.

“O mercado também tem de fazer uma releitura do que o governo está fazendo. Nem em crescimento nem em déficit o mercado acertou”, disse o ministro.

Apesar da escalada do dólar, o Banco Central manteve sua postura de não realizar leilões extras de moeda para conter as cotações. Essa estratégia tem sido adotada nos últimos anos, mesmo em momentos de pressão no mercado de câmbio.

O avanço do dólar reflete a cautela dos investidores diante das incertezas sobre a execução do pacote fiscal e o impacto das medidas nas contas públicas. A reação do mercado nas próximas semanas dependerá da percepção de credibilidade e viabilidade das reformas propostas pelo governo, além do contexto externo, que também influencia o comportamento da moeda.