Estudo aponta baixa escolaridade como fator de risco para declínio cognitivo no Brasil

Por Redação 17/02/2025, às 02h33 - Atualizado 16/02/2025 às 19h13

Um estudo publicado no The Lancet Global Health revelou que a baixa escolaridade é o maior fator de risco para o declínio cognitivo no Brasil, superando aspectos como idade e sexo, tradicionalmente apontados como os principais determinantes da perda de cognição. A pesquisa foi conduzida pelo professor Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com apoio do Instituto Serrapilheira.

A pesquisa utilizou inteligência artificial (IA) e machine learning para analisar dados de mais de 41 mil pessoas na América Latina, divididas entre países de baixa e média renda (Brasil, Colômbia e Equador) e países de alta renda (Uruguai e Chile). No Brasil, 9.412 casos foram analisados a partir do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).

Os resultados indicaram que, no Brasil, a falta de escolaridade representa o maior fator de risco para o declínio cognitivo, seguido por:
✅ Problemas de saúde mental
✅ Sedentarismo
✅ Tabagismo
✅ Isolamento social

Fatores tradicionalmente reconhecidos como determinantes globais, como idade avançada e sexo, apresentaram menor relevância estatística no contexto brasileiro. O estudo também destacou que a instabilidade econômica e a insegurança social agravam o envelhecimento cerebral, especialmente em regiões mais vulneráveis.

Atualmente, cerca de 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais – o equivalente a 2,71 milhões de pessoas – apresenta algum tipo de demência, de acordo com o Ministério da Saúde. As projeções indicam que esse número pode dobrar até 2050, ultrapassando 5,6 milhões de casos.

Diante disso, os pesquisadores esperam que os resultados do estudo influenciem políticas públicas no Brasil e em outros países da América Latina, reforçando a necessidade de investimentos em educação como estratégia para a prevenção do declínio cognitivo e da demência na população idosa.