Estudo revela como o vírus Zika provoca microcefalia; entenda

Por Redação 15/01/2025, às 05h27 - Atualizado 14/01/2025 às 17h41

Pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram que o vírus Zika sequestra uma proteína humana essencial para o desenvolvimento cerebral, chamada ANKLE2, para favorecer sua replicação. O estudo, publicado no periódico científico mBio, aponta que esse mecanismo é responsável pelos casos de microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação.

Como o Zika é capaz de atravessar a barreira placentária, ele interfere no desenvolvimento cerebral do feto, resultando na formação de cérebros menores do que o esperado. “É uma situação em que o Zika está no lugar errado no momento errado”, explicou a professora Priya Shah, do Departamento de Microbiologia, Genética Molecular e Engenharia Química da Universidade da Califórnia, principal autora da pesquisa.

Além do Zika, o estudo indica que outros arbovírus, como dengue e febre amarela, utilizam o mesmo mecanismo para sequestrar a proteína ANKLE2, o que pode abrir caminhos para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra essas infecções.

Síndrome congênita do Zika

Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome congênita do Zika engloba um conjunto de anomalias que afetam embriões e fetos expostos ao vírus durante a gestação. Essas alterações podem incluir microcefalia, deficiências visuais, auditivas e neuropsicomotoras, com gravidade maior quando a infecção ocorre nos estágios iniciais da gravidez.

A principal forma de transmissão do Zika em mulheres grávidas é pela picada do mosquito Aedes aegypti. No entanto, a infecção também pode ser transmitida por relações sexuais com indivíduos infectados ou, mais raramente, por transfusões de sangue.

A associação entre o Zika e a microcefalia foi identificada em 2015, quando um aumento no número de casos da condição em recém-nascidos foi registrado no Brasil. O evento levou à declaração de uma emergência de saúde pública de importância nacional e internacional. Pesquisas posteriores confirmaram que a infecção pelo vírus Zika no período gestacional estava diretamente relacionada aos casos de microcefalia e outras anomalias neurológicas.