O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou a “notável resiliência” da economia brasileira diante de “múltiplos choques” econômicos e projetou um fortalecimento gradual do crescimento para cerca de 2,5% no médio prazo. Em nota divulgada nesta segunda-feira (1º), após o encerramento de sua missão anual no país, a entidade destacou que o Brasil está relativamente protegido das altas globais de preços do petróleo, motivadas pelos conflitos no Oriente Médio, devido à sua condição de exportador da commodity e à forte presença de fontes renováveis na matriz elétrica.
O chefe da missão do FMI, Daniel Leigh, alertou para alguns riscos internacionais, apesar da avaliação majoritariamente positiva. O acirramento de tensões geopolíticas e o aperto das condições financeiras globais são pilares de atenção, segundo Leigh. A recomendação feita pela instituição é que o Banco Central mantenha a cautela na redução dos juros e a continuidade do esforço fiscal. Ainda, o documento recomendou a preservação de receitas extraordinárias provenientes do petróleo, o que “fortalecerá a sustentabilidade da dívida pública, reduzirá os custos de empréstimo e criará espaço para investimentos prioritários”.
O relatório do FMI reconheceu, em síntese, que o país possui pilares sólidos diante das pressões macroeconômicas, incluindo “os sólidos marcos políticos do Brasil, o sistema financeiro robusto, as reservas adequadas e o regime cambial flexível”. Ainda, a entidade avaliou de forma positiva os cortes recentes nas taxas de juros realizados em março e abril deste ano.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar a avaliação do FMI durante a reunião de encerramento da missão anual, chancelou o diagnóstico do Fundo, mas elevou o sarrafo ao reafirmar que a meta principal do governo é alcançar um crescimento anual sustentável de pelo menos 4%, impulsionado pelo ganho de produtividade. Durigan garantiu o compromisso com o equilíbrio da dívida e o controle da inflação para avançar na agenda de desenvolvimento, mesmo sob pressões externas.