Haddad nega déficit recorde em estatais: “Investimento não é prejuízo”

Por Redação 01/01/2025, às 10h49 - Atualizado às 08h05

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contestou nesta segunda-feira (30) a informação de que as empresas estatais registraram um déficit recorde. O debate surgiu após o Banco Central divulgar que 13 estatais não dependentes do Tesouro Nacional acumularam um déficit de R$ 6,04 bilhões entre janeiro e novembro deste ano — o maior valor já registrado na série histórica iniciada em 2002.

Haddad argumentou que os números precisam ser analisados com cautela e recomendou atenção às explicações do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). Segundo o ministro, investimentos realizados pelas estatais podem ser registrados como déficit na contabilidade pública, embora não representem prejuízo real. “A contabilidade das estatais é diferente da contabilidade pública. Investimento pode aparecer como déficit, mas não é”, afirmou.

A ministra Esther Dweck, à frente do MGI, reforçou a necessidade de avaliar a saúde financeira das estatais com base na contabilidade empresarial. De acordo com ela, essa abordagem permite considerar a amortização de investimentos ao longo do tempo, evitando que gastos sejam interpretados como despesas integrais de um único ano.

Dweck também destacou que nove das 13 estatais analisadas pelo Banco Central apresentaram lucro, permitindo inclusive a distribuição de dividendos aos acionistas. Já os resultados negativos de algumas empresas, como os Correios, estão sendo monitorados pelo governo, que trabalha na reestruturação dessas companhias.

A ministra atribuiu parte do cenário atual às restrições impostas durante o governo anterior, quando diversas estatais foram incluídas no Plano Nacional de Desestatização, limitando sua capacidade de investimento. “Com a retirada dessas empresas do plano, elas puderam voltar a investir, o que gera, na contabilidade pública, um resultado deficitário. Mas isso não significa prejuízo.”

Dweck assegurou que o governo está atento à saúde financeira das estatais, mencionando que o presidente Lula assinou recentemente um decreto para reestruturar essas empresas, fortalecendo sua capacidade de operação e sustentabilidade.