A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, morreu 32 horas após cair no vulcão Rinjani, na Indonésia, segundo conclusão de uma segunda autópsia feita por peritos brasileiros, cujo resultado foi divulgado nesta sexta-feira (11), no Rio de Janeiro. A jovem caiu cerca de 220 metros no dia 20 de junho e sofreu uma segunda queda, escorregando por mais 60 metros, o que provocou politraumatismo e hemorragia interna.
A estimativa é que Juliana tenha morrido por volta das 12h do dia 22 de junho, após resistir por mais de um dia em uma região de difícil acesso, a 650 metros de profundidade. Imagens de um drone térmico usado pelas equipes de resgate no dia 22 ainda mostravam sinais de vida. O corpo, no entanto, só foi resgatado três dias depois, em 25 de junho.
Durante coletiva de imprensa realizada na Defensoria Pública da União, a família da jovem criticou a demora e a falta de preparo das equipes de resgate da Indonésia, conhecidas como Basarnas. Segundo Mariana Marins, irmã da vítima, a resposta tardia pode ter sido determinante para a morte de Juliana.
Laudo
A segunda autópsia foi realizada no Brasil, mesmo com dificuldades, já que o corpo havia sido embalsamado com formol, o que comprometeu parte das análises. Ainda assim, os peritos conseguiram identificar fraturas graves e vestígios no couro cabeludo que ajudaram a estimar a hora da morte.
— Foi uma autópsia tecnicamente contaminada, mas o formol conservou bem as lesões — explicou o perito Reginaldo Franklin.
A Defensoria Pública da União avalia três frentes de atuação:
- Investigação criminal no Brasil, via Polícia Federal, com base no princípio da extraterritorialidade;
- Ação cível por danos morais na Justiça da Indonésia;
- Representação internacional em instâncias como a Comissão de Direitos Humanos da ONU.
— O caso pode ser encaminhado à ONU, por envolver possíveis violações de direitos humanos e falhas na assistência à brasileira — afirmou a defensora pública federal Taísa Bittencourt.