Foi sepultada neste domingo (27), em Cantagalo, na região serrana do Rio de Janeiro, a pioneira da Defensoria Pública brasileira, Maria Nice Leite de Miranda. Ela morreu na manhã de hoje, aos 95 anos, após passar cerca de duas semanas internada no hospital Copa Star, em Copacabana, na capital fluminense. A causa da morte não foi divulgada.
O corpo foi velado no Fórum de Cantagalo e enterrado no cemitério local no final da tarde.
Nascida no próprio município de Cantagalo, Maria Nice ingressou na carreira pública em 1958, quando optou por integrar o quadro dos primeiros defensores públicos do estado do Rio de Janeiro, após breve passagem pelo Ministério Público estadual. Na época, a carreira ainda estava subordinada à Procuradoria-Geral de Justiça.
Ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de defensora pública no país, entrando para a história em um grupo que inicialmente era formado apenas por homens nomeados diretamente pelo então governador do Estado do Rio de Janeiro, Ernani do Amaral Peixoto.
Em 1974, Maria Nice também quebrou barreiras ao se tornar a primeira corregedora da Assistência Judiciária do antigo Estado do Rio de Janeiro, função que exerceu até a extinção do órgão em 1975, após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio.
Reconhecida pela sua dedicação aos direitos dos mais vulneráveis, Maria Nice foi condecorada em 2007 com o Colar do Mérito Judiciário, honraria concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ela se aposentou aos 70 anos, após uma longa carreira que, como ela costumava dizer, transformou a Defensoria Pública em sua “segunda casa”.
Em nota de pesar, o defensor público-geral do Rio de Janeiro, Paulo Vinícius Cozzolino Abrahão, destacou o legado de Maria Nice: “Sua trajetória pioneira e seu compromisso com a justiça seguirão inspirando gerações”. A prefeitura de Cantagalo também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da defensora.