Safra de cana-de-açúcar enfrenta queda na produção e deve impactar preços de combustíveis

Por Redação 29/11/2024, às 03h30 - Atualizado 28/12/2024 às 16h07

A produção de cana-de-açúcar no Brasil para a safra 2024/25 sofreu uma redução significativa, com estimativa de 678,67 milhões de toneladas, 4,8% abaixo da safra anterior. Apesar do aumento de 4,3% na área destinada à colheita, que alcançou 8,7 milhões de hectares, a produtividade média caiu 8,8%, registrando 78.048 kg/ha. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As condições climáticas adversas, como baixos índices de chuvas e altas temperaturas, impactaram principalmente as regiões Centro-Sul, responsáveis por 91% da produção nacional. Além disso, queimadas em canaviais prejudicaram o rendimento das lavouras.

Sudeste: A região, maior produtora de cana, terá uma queda de 7,4%, com produção estimada em 434,48 milhões de toneladas. Em São Paulo, o maior estado produtor, a retração será de 35,24 milhões de toneladas. Apesar do aumento de 5,7% na área colhida, a produtividade deverá cair 12,3%.
Centro-Oeste: Produção estimada em 148,62 milhões de toneladas, representando um crescimento de 2,5%. A produtividade, porém, terá leve queda de 1,3%.
Nordeste: A produção deve crescer 2,2%, totalizando 57,72 milhões de toneladas, com a colheita já atingindo 55% até o final de novembro.
Sul: Enfrenta a maior queda percentual, de 12,8%, com produção prevista de 33,76 milhões de toneladas.
Norte: Crescimento de 3,8%, alcançando 4,09 milhões de toneladas, com a colheita já concluída em 93%.

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar deverá cair 3,7%, alcançando 44 milhões de toneladas, devido à menor disponibilidade de cana para moagem. Já a produção total de etanol, incluindo o derivado do milho, deve crescer 1,3%, somando 36,08 bilhões de litros. O etanol de milho terá aumento significativo de 22,1%, enquanto o derivado da cana apresentará redução de 2,8%.

Etanol de milho: 7,22 bilhões de litros previstos, com 2,87 bilhões de litros de anidro e 4,35 bilhões de hidratado.
Etanol de cana: 28,86 bilhões de litros, impactados pelas condições climáticas.

Exportações e mercado

O mercado internacional segue aquecido para o açúcar brasileiro, com um recorde de 23,1 milhões de toneladas exportadas, aumento de 23% em relação ao mesmo período da safra anterior. Apesar do volume maior, o preço médio caiu 10% devido ao aumento da oferta de países concorrentes como Tailândia, China e Índia.

Já as exportações de etanol recuaram 25,3%, totalizando 1,08 bilhão de litros. A Coreia do Sul continua como o maior destino, seguida pelos Estados Unidos e Holanda, que juntos absorvem 68% do total exportado.

No mercado interno, os preços do açúcar tendem a se manter firmes, sustentados pela demanda externa, enquanto os preços internacionais podem sofrer pressão devido à maior oferta global.

Com desafios climáticos e redução na produtividade, a safra 2024/25 reflete a necessidade de adaptação às condições adversas. A expansão da produção de etanol de milho e a manutenção da competitividade no mercado internacional são fatores-chave para minimizar os impactos da retração na produção de cana-de-açúcar.