Superávit comercial de maio é o menor em três anos e acende alerta sobre pressão nas importações

Por Redação 06/06/2025, às 01h05 - Atualizado 05/06/2025 às 17h00

O Brasil registrou superávit de US$ 7,238 bilhões na balança comercial em maio, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo mês de 2024. Esse é o menor saldo positivo para meses de maio desde 2022, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No acumulado de 2025, o superávit soma US$ 24,432 bilhões — retração de 30,6% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado. O desempenho negativo no acumulado foi puxado principalmente pelo déficit registrado em fevereiro, quando o país importou uma plataforma de petróleo.

As exportações brasileiras totalizaram US$ 30,156 bilhões em maio, praticamente estáveis (-0,1%) em comparação com maio de 2024. Apesar disso, o volume embarcado cresceu 2,5%, enquanto os preços médios recuaram na mesma proporção, afetando o valor final das vendas externas.

Já as importações somaram US$ 22,918 bilhões, alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior — o segundo maior volume da série histórica para o mês, atrás apenas de 2022. O crescimento foi impulsionado pelo aumento da quantidade importada (+7,7%), reflexo da retomada da atividade econômica no país, apesar da queda de 3,3% nos preços médios.

Soja, petróleo e minério pressionam saldo

Entre os principais produtos exportados, as vendas de soja — carro-chefe do agronegócio — caíram 3,9% em valor, devido à queda nos preços internacionais. Mesmo com aumento de 4,9% no volume vendido, o recuo de 8,4% nos preços impactou o resultado final.

As exportações de petróleo caíram 9,7%, também por causa da retração de 15,2% nos preços, apesar de o volume exportado ter subido 6,5%. O minério de ferro seguiu a mesma tendência: alta de 7,4% na quantidade embarcada, mas queda de 11,3% nos preços, resultando em recuo de 4,7% no valor total exportado.

Por outro lado, produtos como carne bovina, veículos, celulose e ferro-gusa tiveram desempenho positivo e ajudaram a conter a queda geral nas exportações.

O crescimento das importações foi puxado por produtos como fertilizantes (+25,9%), veículos de passeio, motores, compostos químicos e peças para a indústria automotiva. Apenas a compra de fertilizantes movimentou US$ 257,9 milhões a mais em maio do que no mesmo mês de 2024.

Setores e projeções

Na agropecuária, o volume exportado caiu 5,4%, mesmo com alta de 6,4% nos preços médios, resultando em leve retração de 0,6% no total exportado. A indústria extrativa viu aumento de 7,1% na quantidade, mas os preços médios caíram 12,8%, afetados pela desaceleração da China e tensões comerciais com os Estados Unidos.

A indústria de transformação, por sua vez, se beneficiou da recuperação econômica da Argentina, com alta de 5,2% na quantidade exportada e queda de 1,9% nos preços.

A estimativa oficial do MDIC projeta um superávit de US$ 70,2 bilhões em 2025, queda de 5,4% em relação ao ano anterior. A previsão considera crescimento de 4,8% nas exportações e de 7,6% nas importações. No entanto, a próxima revisão — prevista para julho — deve incorporar o impacto de medidas protecionistas adotadas pelos EUA e pela China.

O mercado financeiro, por sua vez, mantém projeção mais otimista: o Boletim Focus do Banco Central estima superávit de US$ 75 bilhões para o ano.