Tiros perto de favela e esquema integrado marcam segurança do G20 no Rio

Por Redação 21/11/2024, às 18h06 - Atualizado às 18h06

Durante o esquema especial de segurança montado para a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, um episódio de disparos de arma de fogo nas proximidades da favela Cidade de Deus foi o único incidente registrado pelas Forças Armadas. O evento ocorreu no último domingo (17), quando uma tropa do Exército parou para auxiliar um veículo na Linha Amarela e foi surpreendida por tiros.

Segundo o general de brigada Lucio Alves de Souza, chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Leste (CML), não há confirmação de que os disparos tinham como alvo os militares. “Houve um disparo, mas não se sabe se foi direcionado à tropa”, afirmou. O incidente não deixou feridos e contou com o rápido reforço da Polícia Militar (PM), evidenciando a integração entre as forças de segurança.

O general Souza classificou a Operação Corcovado, nome dado ao esquema de segurança do G20, como um sucesso, atribuindo “nota dez” à condução das atividades. O planejamento incluiu varreduras antiexplosivos, além de ações preventivas contra ameaças químicas, biológicas e nucleares.

“O grande objetivo era garantir a segurança dos chefes de Estado, e isso foi plenamente alcançado”, declarou. Ele destacou o treinamento de funcionários de hotéis e metrôs para identificar comportamentos suspeitos e as revistas realizadas no entorno do Museu de Arte Moderna (MAM), que já estavam previstas antes do incidente em Brasília, no dia 13, envolvendo um homem-bomba.

A prisão de militares suspeitos de planejar atentados contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, em operação da Polícia Federal na terça-feira (19), não interferiu na Operação Corcovado, segundo o general. Nenhum dos detidos estava envolvido nas atividades de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) durante o G20.

Números da operação

Cerca de 22,3 mil militares participaram do esquema de segurança, incluindo 18,5 mil do Exército, com suporte de equipamentos como veículos blindados, helicópteros, mísseis e sistemas antidrones. As Forças Armadas foram responsáveis por 94% das 388 escoltas realizadas, cobrindo mais de 5 mil quilômetros no transporte de chefes de Estado e autoridades.

Além disso, o fechamento do Aeroporto Santos Dumont, próximo ao MAM, foi apontado como fundamental para a segurança do evento. “O fechamento eliminou riscos e facilitou o fluxo de comboios na região”, destacou o general Souza.

O general ressaltou que a colaboração entre as Forças Armadas, Polícia Federal e forças estaduais fortaleceu a confiança institucional. Apesar do sucesso da operação, lembrou que o papel das Forças Armadas em segurança pública é limitado pela Constituição, sendo permitido apenas em situações de GLO.

Por fim, Souza agradeceu à população carioca pelo apoio e compreensão das medidas adotadas, reforçando que a receptividade do Rio de Janeiro foi essencial para o sucesso do evento. “O carioca, como sempre, recebeu muito bem os visitantes e contribuiu para que o evento ocorresse de forma segura e tranquila.”