Toffoli estende apuração sobre compra do Banco Master pelo BRB

Por Redação 16/01/2026, às 20h07 - Atualizado às 19h46

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou a ampliação, por mais 60 dias, das investigações que apuram suspeitas de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O caso tramita sob sigilo no Distrito Federal e é conduzido pela Polícia Federal (PF), que solicitou a prorrogação do prazo para aprofundar as diligências.

Na decisão, Toffoli também determinou a comunicação formal à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a continuidade do inquérito.

De acordo com a PF, o esquema investigado envolve a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro, prática que teria provocado um desvio estimado em até R$ 12 bilhões. Para atrair investidores, o banco privado chegou a ofertar rendimentos de até 40% acima da taxa média de mercado.

Os investigadores analisam ainda se executivos do BRB tiveram participação nas supostas irregularidades. Em março do ano passado, a instituição financeira do Distrito Federal anunciou a compra do Banco Master, operação que contou com aval do governo local. O negócio, no entanto, foi interrompido pelo Banco Central, após a identificação de inconsistências na documentação apresentada para comprovar a solidez da carteira do banco adquirido.

Ao justificar a decisão, Toffoli registrou que os fundamentos apresentados pela PF são suficientes para a extensão do prazo investigativo e determinou a ciência imediata ao Ministério Público.

Na quarta-feira (14), a Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Compliance Zero, voltada novamente ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A apuração reúne indícios de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Entre as medidas judiciais autorizadas estão o bloqueio e o sequestro de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões.