Três anos de 5G no Brasil: tecnologia avança, mas esbarra em falta de leis locais

Por Redação 06/07/2025, às 17h10 - Atualizado às 17h10

Neste domingo (6), o Brasil completa três anos desde que a tecnologia 5G começou a ser implantada oficialmente no país. Desde então, mais de mil municípios passaram a contar com a nova rede de alta velocidade, beneficiando 47,2 milhões de brasileiros, segundo levantamento da Conexis Brasil Digital, sindicato das operadoras de telecomunicações.

O estado de São Paulo lidera o ranking de cobertura, com 10,2 mil antenas instaladas em 622 municípios — o que representa um quarto de todas as antenas 5G do país. Na outra ponta, o Acre tem apenas 169 antenas, espalhadas por cinco cidades.

Metas superadas e novos desafios

O edital da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), publicado em 2021, estabelecia que até 31 de julho de 2025, todas as capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes deveriam contar com pelo menos uma Estação Rádio Base (ERB) para cada 10 mil moradores.

Segundo a Conexis, as operadoras já cumpriram 100% das metas previstas até 2025 e ainda avançaram 60% nas metas estipuladas para 2026. Em relação ao cronograma até 2030, já foram instaladas 73% das antenas previstas — um total de 45.281 das 62.275 antenas programadas.

A chegada do 5G promete revolucionar diversos setores com alta velocidade de conexão, menor latência e capacidade de suportar múltiplos dispositivos simultaneamente. Isso viabiliza inovações em telemedicina, agricultura de precisão, indústria 4.0 e Internet das Coisas (IoT).

Falta de leis locais trava expansão

Apesar do avanço técnico, um dos maiores entraves para a expansão plena do 5G no Brasil é a ausência de legislação municipal adequada para regulamentar a instalação de antenas. De acordo com dados da Anatel, com base no movimento Antene-se, 849 municípios ainda operam sem leis locais atualizadas, o que compromete a ampliação da rede.

Em abril, 450 cidades já tinham leis aprovadas, concentrando 85% das estações ativas do país (cerca de 41 mil antenas). Nos municípios sem regulamentação, esse número cai drasticamente: apenas 6,3 mil antenas, ou 15% do total nacional.

A diferença de cobertura é visível também no número de habitantes por antena. Em cidades com legislação atualizada, há 1 estação para cada 3.189 pessoas. Já nas cidades sem a legislação, cada antena atende mais que o dobro disso — 7.031 pessoas.

A Anatel alerta que a ausência de marcos legais locais gera dificuldades técnicas e burocráticas para a instalação das antenas, especialmente porque a rede 5G demanda cinco vezes mais antenas que o 4G para funcionar com plena eficiência.

“Existem cidades onde o 5G já está instalado, mas sem legislação adequada, o que cria obstáculos adicionais. É um gargalo que precisa ser resolvido com urgência para garantir a qualidade e a expansão da tecnologia”, alertou a agência reguladora.