União Europeia veta importação de carne brasileira e suspende compras a partir de setembro

Por Redação 06/06/2026, às 16h00 - Atualizado às 14h10

A União Europeia oficializou, na última sexta-feira (5), a suspensão das importações de carne brasileira ao excluir o Brasil da lista de países que atendem às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro e impede a exportação de carnes e outros produtos de origem animal para os países europeus.

De acordo com o documento publicado pela Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar que os produtos exportados atendem às regras da União Europeia relacionadas ao uso dessas substâncias. Os antimicrobianos são utilizados para prevenir e tratar infecções em animais, além de, em alguns casos, serem empregados como promotores de crescimento.

Na lista divulgada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de produtos como mel, peixes e tripas. Com a nova decisão, o país foi retirado da relação de exportadores habilitados para todos esses itens. Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a comercializar seus produtos com o bloco europeu.

A Comissão Europeia informou que o Brasil poderá voltar à lista de países autorizados assim que comprovar o cumprimento das exigências sanitárias. Em maio, quando a decisão foi anunciada, a porta-voz para a Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, afirmou que a reinclusão dependerá da apresentação de garantias adequadas sobre o controle do uso dos antimicrobianos.

O governo brasileiro afirmou ter sido surpreendido pela medida e sinalizou que buscará negociar com o bloco europeu. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos. A União Europeia é atualmente o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e o segundo principal mercado para carnes em geral.