O Outubro Rosa PET é um convite para olharmos com carinho e atenção para a saúde das nossas cadelas e gatas. Assim como em humanos, os tumores de mama são comuns em pets, especialmente nas fêmeas não castradas. A boa notícia é que grande parte do risco pode ser reduzida com medidas simples de prevenção e com o acompanhamento veterinário adequado. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores as chances de um tratamento eficaz e menos invasivo.
Os tutores têm um papel essencial na detecção precoce. Reserve um momento por mês para palpar delicadamente toda a cadeia mamária do animal (existem duas linhas com várias mamas em sequência, do tórax ao abdômen). O que observar: carocinhos, nódulos firmes, aumento de volume, calor, dor, vermelhidão, saída de secreção pelos mamilos, feridas que não cicatrizam e inchaço de “ínguas” (linfonodos, principalmente na região das axilas e virilhas). Achou algo diferente? Não espere “ver se melhora”, procure o veterinário o quanto antes. Em machos, é raro, mas tumores mamários também podem ocorrer.
A forma mais eficaz de prevenção é a castração (ovariohisterectomia). Em cadelas, quando feita antes do primeiro cio, a redução de risco é muito significativa. Estudos clássicos apontam risco ao longo da vida em torno de 0,5% se a castração ocorrer antes do primeiro cio, cerca de 8% após o primeiro e aproximadamente 26% após o segundo. Em gatas, a castração precoce reduz o risco de forma acentuada (estimativas próximas de 80–90% de redução quando realizada antes dos 6 meses). Além da castração, manter peso saudável, oferecer alimentação de qualidade, rotina de exercícios e check-ups anuais também contribui para a saúde mamária e geral dos pacientes.
Qual é o melhor momento para castrar? A resposta não se limita à prevenção do câncer de mama: depende de uma avaliação individual que considera saúde geral, espécie (cadela ou gata), porte e raça, histórico reprodutivo, ambiente e rotina, além do estágio de desenvolvimento do trato geniturinário e do sistema músculo-esquelético.
Em gatas, a castração eletiva costuma ocorrer por volta dos 4–5 meses, quando já há segurança anestésica e antes de múltiplos cios.
Em cadelas de porte pequeno a médio, frequentemente indica-se entre 5–6 meses; já em raças de grande e gigante porte, pode ser prudente aguardar um pouco mais (por exemplo, após o primeiro cio ou por volta de 9–15 meses), ponderando riscos e benefícios — como impactos no crescimento ósseo, saúde articular e risco de incontinência urinária em algumas fêmeas.
Mesmo em animais adultos, a castração continua trazendo vantagens (prevenção de piometra e redução da influência hormonal sobre o tecido mamário). A decisão final deve ser tomada com o médico-veterinário, após exame físico, avaliação pré-anestésica e discussão dos objetivos de saúde e bem-estar do seu pet.
Anticoncepcionais hormonais em pets devem ser terminantemente descartados. Mesmo uma única aplicação pode desencadear consequências graves: hiperplasia mamária (especialmente em gatas, com aumento rápido, doloroso e às vezes ulcerado das mamas), piometra (infecção uterina potencialmente fatal), cistos e alterações do útero, pseudogestação, além de desequilíbrios metabólicos e aumento do risco de tumores de mama. Injeções, comprimidos ou “chips” hormonais não substituem a castração e não são seguros nem como solução temporária. Se a intenção é prevenir gestação e doenças, a medida realmente eficaz e duradoura é a castração (ovariohisterectomia), indicada e acompanhada pelo médico-veterinário.
E se o tumor já existe? Procure um oncologista veterinário. O atendimento especializado ajuda a definir com precisão o tipo de tumor e o melhor plano terapêutico. Em cadelas, cerca de 50% dos tumores mamários podem ser malignos; em gatas, a maioria (80–90%) tende a ser maligna e de evolução mais agressiva, o que torna a rapidez no diagnóstico ainda mais crucial. O tratamento geralmente envolve cirurgia para retirar a cadeia mamária afetada e, conforme o caso, avaliação de linfonodos regionais e terapias complementares, como quimioterapia. Quanto mais cedo intervir, melhores costumam ser os resultados.
Biopsia e estadiamento são etapas-chave. A confirmação do diagnóstico é feita pela análise histopatológica do tecido (biópsia), que identifica o tipo de tumor e suas características, orientando o tratamento e o prognóstico. O estadiamento avalia a extensão da doença no organismo e pode incluir exame físico detalhado, hemograma e bioquímica, radiografias de tórax ou tomografia, ultrassonografia abdominal e avaliação/biopsia de linfonodos. Essas informações guiam a decisão cirúrgica, a necessidade de quimioterapia e o plano de acompanhamento.
Neste Outubro Rosa PET, faça um check-up preventivo, converse com o veterinário sobre o melhor momento para castrar, e crie o hábito do “autoexame do tutor” mensal no seu pet. A detecção precoce salva vidas — e a prevenção, quando possível, é ainda melhor. Cuidar hoje é garantir mais qualidade de vida amanhã.
Marcelo Casais