Vape no Carnaval: a fumaça que entrou na folia

Foto de Iura Gonzalez Iura Gonzalez 10/02/2026, às 19h40 - Atualizado às 19h40

Entre o glitter, o suor e a música alta, o vape virou presença constante no Carnaval. Está nos blocos, nos camarotes e nas festas fechadas, sempre discreto, colorido e com cheiro doce. Para muitos foliões, parece apenas mais um detalhe da diversão. Mas, do ponto de vista pulmonar, está longe de ser inofensivo.

Os cigarros eletrônicos, apesar de proibidos no Brasil, circulam livremente durante a folia. O problema é que o aerossol inalado não é “vapor d’água”. Ele carrega nicotina, solventes químicos e partículas ultrafinas que atingem diretamente as vias aéreas inferiores, provocando inflamação, irritação brônquica e sobrecarga do sistema respiratório.

Alerta de saúde pública: em ambientes lotados, o aerossol do vape se espalha e expõe terceiros. Crianças, idosos e pessoas com asma ou DPOC inalando essas partículas têm maior risco de exacerbações respiratórias. Em eventos de massa, o uso individual se transforma em risco coletivo.

O vape ganhou status de acessório moderno, principalmente entre jovens que nunca fumaram. O Carnaval, com seu clima de liberdade, facilita o uso ocasional que, na prática, representa uma porta de entrada para lesão pulmonar repetida e progressiva.

Normalizar o vape é fechar os olhos para uma agressão direta aos pulmões, travestida de algo leve e inofensivo. Quando a música para e o glitter sai, a inflamação fica — e o pulmão sente.