Com a volta às aulas, também retorna o período das viroses na pediatria, o que gera muita preocupação entre as famílias. Os responsáveis ficam com a sensação de que a criança está sempre doente, com uma tosse que não passa e com a imunidade baixa. Esse cenário se acentua após o Carnaval, com o maior circulação viral.
É sabido na pediatria que a maior proporção de doenças atinge o trato respiratório, como resfriados, sinusites, otites, pneumonias e bronquiolites, por exemplo, e que essas doenças têm fácil transmissão entre as crianças por meio de gotículas eliminadas na tosse e no espirro, além de mãos contaminadas que levam tudo à boca (nós bem sabemos como as crianças fazem). A facilidade de transmissão se soma ao íntimo convívio nas escolas e creches, e o resultado já conhecemos: crianças doentes quase o ano todo.
Uma pergunta muito frequente no consultório de pediatria é se existe alguma medicação que possa ajudar o sistema imunológico da criança para que ela adoeça menos. A grande maioria dos adoecimentos não tem relação com baixa imunidade, mas com os fatores citados anteriormente. Algumas situações devem servir de alerta para o pediatra investigar problemas no sistema imunológico, como pneumonias de repetição, otites de repetição e diarreia crônica. Nesses casos, pode ser necessário descartar imunodeficiência, reforçando a importância do acompanhamento médico regular.
A tão falada suplementação de vitamina C, por exemplo, não tem evidência de benefício na literatura médica, e a ingestão de uma a duas porções de frutas cítricas por dia já é suficiente para atender à demanda dessa vitamina no organismo. O excesso da vitamina é eliminado pela urina. Uma alimentação balanceada, associada à suplementação vitamínica recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para cada faixa etária, garante todos os nutrientes necessários para o indivíduo crescer, se desenvolver e enfrentar as viroses da infância. Vale ressaltar que não devemos usar medicações ou suplementos sem orientação médica.
Mas o que podemos fazer para evitar que isso ocorra ou, melhor, minimizar os episódios de doença? Os pilares fundamentais são: alimentação saudável, boas noites de sono, rotina de cuidados e bons hábitos de higiene. Esses fatores são essenciais para que a criança adoeça menos e, caso adoeça, não evolua para quadros graves.
Dois outros pontos muito importantes são: manter o calendário vacinal em dia, inclusive com a vacinação anual contra a gripe, e evitar mandar a criança doente para a escola ou creche, reduzindo, assim, a transmissão viral.
Lis Thomazini