Carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves e medicamentos estão entre os produtos brasileiros que não serão atingidos pela nova tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos.
A medida, confirmada nesta quinta-feira (15), estabelece uma sobretaxa de 25% sobre uma série de mercadorias brasileiras e passa a valer a partir de 22 de julho. Produtos que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos antes da entrada em vigor da cobrança não serão afetados. Entre os itens que passarão a ser tributados estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, produtos químicos e manufaturados em geral.
A nova tarifa deve atingir aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano, segundo estimativa preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A cobrança foi anunciada após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Segundo o governo americano, a decisão tem como base a Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos e considera práticas brasileiras que, na avaliação do país, restringem ou prejudicam o comércio bilateral.
A nova taxa se soma a outras barreiras comerciais já impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de aço, alumínio e cobre. Além disso, outra investigação pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, relacionada ao combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro avalia que as medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa em alguns produtos, elevando a sobretaxa para até 37,5%, dependendo da classificação tarifária.
A decisão amplia a tensão nas relações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro afirma que realizou rodadas de negociação para tentar evitar a medida, mas não houve acordo. Agora, o Palácio do Planalto analisa possíveis respostas, entre elas o uso da Lei da Reciprocidade Econômica e a continuidade das negociações diplomáticas.