Durante os dois dias de festejos juninos no Nordeste de Amaralina, sexta-feira (26) e sábado (27), o samba junino ocupou espaço de destaque na programação, levando para as ruas uma das manifestações culturais mais tradicionais de Salvador. Com a mistura do samba duro, samba de roda e elementos da música junina, os grupos mantiveram viva uma tradição que atravessa gerações e faz parte da identidade dos bairros populares da capital baiana.
Presente no circuito ao longo da festa, o movimento reuniu sambistas, percussionistas e moradores em apresentações marcadas pela batida dos tambores e pela valorização da cultura local. Para os artistas envolvidos, o samba junino representa memória, pertencimento e resistência cultural dentro dos festejos de São João.
Valdir Anjos, cantor do Samba SG, destacou a importância de participar da celebração no Nordeste de Amaralina e relembrou sua trajetória de mais de 35 anos no samba. “Pra mim é muito importante estar aqui no Nordeste, porque o São João aqui é um São João gostoso, perfeito”, afirmou. O cantor também falou sobre sua relação com o ritmo: “Eu vim de um samba lá de onde eu moro, passei por outros sambas e hoje estou aqui no SG, agregando e fazendo parte”.
Para Aline Silva, presidente do Samba Unidos do Capim, a presença dos grupos no evento ajuda a fortalecer uma tradição que voltou a ganhar espaço nas festas populares. “O Arraiá do Nordeste já vem resgatando esse samba. Cada um do samba que mora nas suas ruas está vindo, e vai ter esse encontro no trio”, contou. Segundo ela, o movimento também tem importância para aproximar os jovens da cultura popular. “É para que a juventude veja o que era antigamente e volte a curtir o samba que é a nossa linguagem popular”.
O percussionista Roni Silva, do Samba do Gordinho, também ressaltou a ligação do samba junino com a história da comunidade. “Ele traz a nossa cultura de samba duro, samba de roda, o samba tradicional do Recôncavo, que a gente mantém acesa aqui no nosso bairro”, explicou. Morador de Santa Cruz, ele contou que cresceu convivendo com a manifestação. “Nasci, cresci ouvindo e tocando o samba junino. Para mim é muito importante estar aqui hoje com minha família e meus amigos, dando minha contribuição”.
Além de animar o encerramento dos festejos, a presença dos sambas juninos reforçou o papel da música como elemento de memória e encontro comunitário, mostrando que as tradições populares seguem ocupando as ruas de Salvador durante o período junino.