Por Thiago Conceição
Antes de desfilar no Furdunço, neste sábado (7), a cantora Daniela Mercury conversou com a imprensa e falou sobre o tema que conduz seu Carnaval: “Mulher de Poder”. Com mais de 40 carnavais na trajetória, a artista reforçou seu compromisso histórico com pautas sociais e culturais, colocando o feminino no centro das narrativas apresentadas na festa.
Reconhecida pelas inovações que imprime ao Carnaval de Salvador, Daniela destacou que, neste ano, a proposta é exaltar a força e a potência das mulheres, especialmente das Mulheres de Axé e das sambistas, que, segundo ela, ainda são invisibilizadas dentro do samba — gênero musical que completa 110 anos de existência.
Em conversa com o repórter Guilherme Rios, a cantora ressaltou que o tema dialoga diretamente com o momento atual da sociedade. “Nesse momento, mais que nunca, eu venho trazendo várias vezes, falei do feminino lá atrás, da questão da discriminação. Mas quando a gente tá tendo que fazer uma campanha contra a violência contra a mulher, eu acho muito oportuno que a gente reforce que as mulheres precisam entender ainda mais o seu poder”, afirmou.
Daniela também relacionou o aumento da violência de gênero a um embate histórico por espaço e reconhecimento. “Eu acho que tá acontecendo também um confronto de poder com os homens que alguns não estão entendendo, que as mulheres já sabem seu lugar há muito tempo. Isso tá acontecendo naturalmente, e a violência aumentou”, disse.
A artista destacou ainda que a luta feminina vai além do Carnaval e passa por igualdade concreta em diferentes áreas. “A gente tem que alcançar outro status de poder no mundo, na vida política, nos salários que ainda não estão equiparados, apesar da lei. A gente ainda não tem o mesmo reconhecimento intelectual. Toda vez a gente pensa no nome de um homem antes de pensar no nome de uma mulher. É um exercício para todos nós”, pontuou.
Ao ampliar o debate, Daniela reforçou que a mudança exige revisão de padrões históricos. “A gente não pensa nos negros, a gente pensa nos brancos. A gente tem que mudar a cabeça da gente mesmo. É um exercício contínuo. Falar da mulher no poder é reforçar esse exercício de se equiparar em termos de funcionamento em todas as áreas”, concluiu.
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