Ba-Vi das desculpas: rivais baianos acumulam problemas e perdem força no Brasileirão

Por Redação 10/08/2026, às 15h30 - Atualizado às 14h14

Por Mirian Silva

A dupla Ba-Vi vive um momento de baixa no Campeonato Brasileiro. Bahia e Vitória chegam à reta decisiva da competição sem conseguir transformar o potencial de seus elencos em regularidade, mas por caminhos diferentes. Enquanto o Tricolor apresenta uma queda de rendimento justamente em uma temporada na qual teve um calendário menos apertado, o Rubro-Negro convive com um problema que se tornou crônico: a incapacidade de vencer fora de casa.

O cenário chama atenção principalmente quando o Bahia é comparado ao próprio desempenho da temporada passada. Em 2025, mesmo submetido a uma sequência muito mais pesada de jogos e às constantes reclamações sobre o calendário, o time conseguiu entregar resultados mais consistentes. Em 2026, com mais períodos de descanso e menos compromissos simultâneos, a equipe não conseguiu repetir o mesmo nível de desempenho.

O empate sem gols com o Vasco, neste domingo (9), na Arena Fonte Nova, foi mais um exemplo. O Bahia caiu para a sexta colocação, com 33 pontos, e deixou o campo sob críticas pela atuação. Rogério Ceni reconheceu o baixo rendimento, mas novamente recorreu a fatores externos para explicar parte das dificuldades.

“O gramado eu não vou mais falar, não sou eu que tenho que falar. Chega a dar vergonha. O gramado atrapalha, mas tecnicamente sei que fizemos escolhas ruins”, afirmou o treinador.

Ceni também citou desfalques e o longo período sem partidas como fatores que influenciaram a atuação. O Bahia passou cerca de dez dias sem entrar em campo após a eliminação precoce na Copa do Brasil, justamente em uma temporada na qual o calendário deixou de ser tão congestionado quanto no ano anterior.

“É ruim ficar dez dias sem jogar. Ano passado era ruim jogar de três em três dias, mas também é ruim não jogar em dez dias”, disse.

A fala expõe uma contradição que merece atenção. Se em 2025 o excesso de jogos era apontado como um dos obstáculos para o desempenho do Bahia, agora o período maior de preparação também aparece como um problema. O calendário, que antes era considerado um adversário, desta vez oferece mais tempo de recuperação e preparação, mas não necessariamente se transformou em vantagem dentro de campo.

Do outro lado da rivalidade, o Vitória também atravessa uma temporada de contrastes. Se na Copa do Brasil o Rubro-Negro conseguiu protagonizar uma campanha histórica, chegando às quartas de final pela primeira vez desde 2014, no Brasileirão o desempenho é consideravelmente inferior.

O Leão não vence há quatro partidas e também não consegue marcar gols nesse período. A dificuldade ofensiva se soma a um problema ainda maior: o desempenho como visitante.

Nos últimos 30 jogos fora de casa, o Vitória venceu apenas dois. O retrospecto é de duas vitórias, dez empates e 18 derrotas, com 21 gols marcados e 61 sofridos. O aproveitamento de apenas 17,77% dos pontos disputados mostra que não se trata de um problema recente ou exclusivamente relacionado ao trabalho de Jair Ventura.

Jair Ventura reconheceu a dificuldade e, diferentemente de uma justificativa exclusivamente baseada no desgaste, assumiu que o time precisa evoluir.

“A gente segue sem vencer fora de casa, temos que ser cobrados e queremos melhorar”, afirmou o treinador.

Após a derrota por 2 a 0 para o Flamengo, o comandante também admitiu que o Vitória teve dificuldades principalmente no primeiro tempo, embora tenha conseguido equilibrar a partida depois do intervalo.

Jair ainda afastou a possibilidade de transformar o descanso em justificativa para o resultado diante do Flamengo.

Dois problemas, uma mesma consequência

A fotografia atual da dupla Ba-Vi é curiosa. Bahia e Vitória chegaram ao Campeonato Brasileiro com expectativas diferentes, mas os dois terminaram a 22ª rodada deixando a sensação de que poderiam entregar mais.

No Bahia, a cobrança passa pela queda de rendimento e pela dificuldade de transformar um calendário mais confortável em desempenho superior. O time que reclamava da quantidade de jogos em 2025 agora tem mais tempo para treinar e descansar, mas não apresenta a mesma consistência.

No Vitória, o problema é mais estrutural. A campanha positiva na Copa do Brasil mostra que o elenco é capaz de competir em alto nível em determinados contextos, mas o Brasileirão revela uma equipe que não consegue manter regularidade, especialmente fora de Salvador. Quatro jogos sem vencer e sem marcar gols reforçam a sensação de que a equipe perdeu força justamente na competição mais longa da temporada.

A diferença é que o Bahia ainda está na sexta colocação, com 33 pontos, enquanto o Vitória precisa olhar com muito mais atenção para a parte de baixo da tabela. Para os dois, porém, o diagnóstico é semelhante: há uma distância entre o futebol que se esperava dos representantes baianos e aquilo que eles estão entregando no Brasileirão.

E, na reta final do campeonato, as justificativas começam a valer cada vez menos. Gramado, calendário, desfalques e desgaste podem explicar parte dos problemas, mas são os resultados que definem a temporada. Para Bahia e Vitória, chegou o momento de transformar explicações em respostas dentro de campo.