Lula defende controle mais rígido de plataformas digitais e bets

Por Redação 17/04/2026, às 15h15 - Atualizado às 14h03

Durante agenda em Barcelona, na Espanha, nesta sexta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o crescimento das apostas online tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias brasileiras. Ele voltou a defender regras mais rígidas para o setor de bets e para as big techs.

Após a assinatura de acordos entre Brasil e Espanha, Lula destacou que a ausência de regulação no ambiente digital gera efeitos que ultrapassam a economia, alcançando também a saúde mental da população, a soberania dos países e o funcionamento das democracias.

Segundo o presidente, o avanço tecnológico levou práticas de jogos de azar para dentro das casas, por meio dos celulares, o que estaria estimulando gastos acima da capacidade financeira das famílias.

“Uma das coisas que está endividando a sociedade, fazendo com que ela gaste aquilo que não poderia gastar, são as apostas no mundo digital”.

Lula citou ações do governo para reduzir impactos das plataformas digitais, como a restrição do uso de celulares em escolas do ensino fundamental. Ele afirmou que a medida teve resultados positivos.

“Já proibimos o celular nas escolas do ensino fundamental. Muita gente achava que não era bom, mas foi um sucesso extraordinário. As crianças voltaram a se comportar como seres humanos. Voltaram a fazer um monte de brincadeiras, como sempre faziam, e esqueceram um pouco o celular”.

O presidente disse ainda que o governo pretende avançar na regulação de conteúdos e serviços digitais, com foco na proteção da população e no combate à desinformação.

“A internet não é para transmitir ódio, nem mentira. Não é para transmitir violência. Quem acompanha a internet sabe do que eu estou falando.”

Lula defendeu que a regulação do ambiente digital precisa ser tratada como uma pauta mundial, com atenção à soberania dos países e à prevenção de interferências externas em processos democráticos.

“Ao abordar o tema, o presidente afirmou: “Espero que o mundo tenha consciência de que este é um problema da humanidade. Precisamos regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania aos nossos países, de forma a não permitir intromissões vindas de fora, sobretudo no ano eleitoral. Mundo afora, estão sendo criadas verdadeiras fábricas ou fazendas de mentiras”.