Mais de 1,7 mil jornalistas foram mortos em 20 anos em todo o mundo

Por Redação 14/12/2024, às 19h30 - Atualizado às 15h36

Nos últimos 20 anos, mais de 1,7 mil jornalistas foram assassinados em todo o mundo enquanto exerciam suas funções ou devido a elas, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF). Em 2024, o número de profissionais mortos chegou a 54, sendo 52 homens e duas mulheres.

O relatório da RSF destacou que 2024 registrou o maior número de jornalistas mortos em cenários de conflitos armados. Até 1º de dezembro, 31 óbitos ocorreram nessas circunstâncias, sendo 16 deles na Palestina, em meio ao conflito entre Israel e o Hamas. A organização apontou as forças armadas israelenses como “as principais agressoras da liberdade de imprensa” na região.

“Não estamos falando de vítimas colaterais”, ressaltou Artur Romeu, diretor do escritório da RSF para a América Latina. Segundo ele, muitos profissionais da imprensa sofreram ataques diretos, sendo usados como alvos para sequestros ou intimidações em disputas geopolíticas.

Além das mortes na Palestina, outros países também foram palco de assassinatos de jornalistas em 2024:

  • Paquistão: 7
  • Bangladesh: 5
  • México: 5
  • Sudão: 4
  • Birmânia: 3
  • Colômbia: 2
  • Líbano: 2
  • Ucrânia: 2
  • Chade, Indonésia, Iraque e Rússia: 1 cada.

A RSF registrou 550 jornalistas presos durante o ano, um aumento de 7,2% em relação a 2023. A China lidera o número de detenções, com 124 profissionais encarcerados, seguida pela Birmânia (61) e Israel (41). Além disso, 55 jornalistas foram feitos reféns, a maioria na Síria, onde o Estado Islâmico é o principal responsável pelos sequestros.

O relatório também contabilizou 95 profissionais desaparecidos, sendo 39 casos registrados nas Américas, com destaque para o México (30).

Embora o Brasil não tenha registrado assassinatos de jornalistas em 2024, o país enfrenta crescentes ameaças digitais. Durante a campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, mais de 37 mil postagens ofensivas contra jornalistas foram identificadas nas redes sociais.

Artur Romeu enfatizou a necessidade de regulamentação das plataformas digitais para responsabilizar as empresas pelo conteúdo disseminado. A RSF também alertou para possíveis desafios futuros com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a instabilidade contínua no Oriente Médio, fatores que podem agravar os riscos à liberdade de imprensa.

“Conflitos armados e discursos hostis contra a imprensa criam cenários cada vez mais desafiadores para o jornalismo em todo o mundo”, concluiu Romeu.

As informações são da Agência Brtasil.