Novo remédio para câncer de pâncreas dobra sobrevida e emociona médicos em congresso

Por Redação 08/06/2026, às 10h30 - Atualizado às 07h48

Uma nova esperança para o tratamento do câncer de pâncreas foi apresentada durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em Chicago, nos Estados Unidos. Os resultados de um estudo de fase 3 com o medicamento oral daraxonrasib chamaram a atenção da comunidade médica global e chegaram a ser recebidos com uma ovação de pé pelos especialistas presentes no evento. Publicada simultaneamente no prestigiado New England Journal of Medicine, a pesquisa acompanhou cerca de 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratado. Os dados revelaram que as pessoas que receberam o daraxonrasib tiveram uma sobrevida mediana de 13,2 meses, contra os 6,7 meses observados entre o grupo tratado apenas com a quimioterapia convencional.

Além de praticamente dobrar o tempo de sobrevida, o estudo apontou uma redução de aproximadamente 60% no risco de morte e mostrou que mais de 30% dos pacientes apresentaram diminuição mensurável do tamanho dos tumores. Outro dado que surpreendeu positivamente os pesquisadores foi o baixo índice de interrupção do tratamento por reações adversas, já que apenas 1,2% dos participantes precisaram suspender o uso da medicação. O daraxonrasib atua diretamente sobre alterações genéticas da família RAS, que estão presentes na grande maioria dos tumores pancreáticos. Com esse mecanismo focado, os cientistas observaram maior controle da progressão da doença e menos efeitos colaterais graves em comparação com as terapias atualmente disponíveis no mercado.

Considerado um dos tumores mais agressivos e de mais difícil diagnóstico precoce, o câncer de pâncreas costuma apresentar prognóstico desfavorável porque os sintomas geralmente só surgem em estágios muito avançados. Exatamente por isso, a reação de médicos e pesquisadores ao interromperem a sessão na ASCO com uma salva de aplausos foi vista como um movimento incomum e histórico para o meio científico. O entusiasmo generalizado foi motivado pela possibilidade real de que a nova droga represente uma mudança profunda no manejo da doença e, futuramente, reduza a dependência da quimioterapia. Embora o medicamento ainda dependa de trâmites regulatórios para aprovação definitiva em diferentes países, os resultados consolidam a expectativa de um novo capítulo na medicina atual.