A Neoenergia divulgou seu balanço de 2025 e informou um lucro líquido de R$ 5 bilhões no período. Na Bahia, onde atua por meio da Coelba, o desempenho também foi expressivo: o resultado chegou a R$ 1,95 bilhão, representando alta de 8% em comparação com 2024.
Apesar dos números positivos, não há previsão de pagamento adicional ligado à renovação da concessão da distribuidora, cujo contrato tem vencimento previsto para 2027. Em 6 de abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou a prorrogação do contrato por mais 30 anos, mesmo diante de críticas relacionadas à qualidade do serviço prestado no estado.
A decisão de renovação gerou questionamentos na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Um relatório elaborado por deputados recomendava a não renovação do contrato e a abertura de um novo processo de licitação. O documento apontava problemas recorrentes na atuação da concessionária, como falhas no fornecimento de energia, alto volume de reclamações e ações judiciais, além de dificuldades no atendimento em áreas produtivas e aumento das tarifas ao longo dos anos.
Nos registros de órgãos de defesa do consumidor, a Coelba aparece com números elevados de insatisfação. Em 2023, foram 689 reclamações fundamentadas no Procon, liderando o ranking de queixas. No ano seguinte, a empresa manteve posição de destaque negativo, com 1.753 registros, segundo o órgão.
Também houve decisões judiciais determinando melhorias no serviço. Em 2024, a Justiça da Bahia obrigou a empresa a adotar medidas para regularizar o fornecimento de energia em Belmonte, após sucessivas quedas e apagões. Outro caso recente ocorreu em Xique-Xique, que ficou cerca de 16 horas sem energia devido a uma falha técnica no sistema de distribuição, segundo a própria concessionária.
A Coelba foi privatizada em 1997, quando 65,4% do capital foi vendido por R$ 1,73 bilhão ao consórcio Guaraniana S/A, formado pela espanhola Iberdrola e pelo Banco do Brasil. No mesmo ano, foi firmado o contrato de concessão por 30 anos com o governo federal.
Em 2015, a Iberdrola transferiu sua participação para a Neoenergia, que passou a controlar a maior parte da empresa. Atualmente, a companhia detém cerca de 96,3% do capital, enquanto o Banco do Brasil mantém 2,3% e outros acionistas dividem o restante.
O contrato de concessão estabelece obrigações relacionadas à qualidade, continuidade e eficiência do serviço, além de prever possibilidade de renovação, mecanismo que acabou sendo acionado pelo governo federal.