Iphan autoriza obras emergenciais na Igreja de São Francisco de Assis após desabamento do teto

Por Redação 07/02/2025, às 21h59 - Atualizado às 21h59

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou, nesta sexta-feira (7), a contratação de obras emergenciais para a Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho, em Salvador. A medida, realizada por dispensa de licitação, ocorre após o desabamento do teto do templo na última quarta-feira (5), que resultou na morte da turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e deixou cinco feridos.

A intervenção emergencial inclui escoramento, estabilização da estrutura e medidas de segurança para preservar o monumento e garantir a proteção dos trabalhadores envolvidos.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, esteve no local na quarta-feira (5) para uma vistoria técnica. No dia seguinte, ao lado da ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou de uma reunião com representantes da força-tarefa que investiga o caso. O grupo inclui especialistas do Iphan, órgãos estaduais e municipais de preservação do patrimônio, além de equipes da Defesa Civil, da Polícia Civil da Bahia e da Polícia Federal.

“Estamos contratando uma obra emergencial para o escoramento da igreja, a estabilização do imóvel e a remoção dos materiais que desabaram. Esses escombros serão analisados para subsidiar as futuras intervenções”, explicou Grass.

O Iphan ainda não tem previsão para o início da restauração completa do templo. “É necessário aguardar a conclusão das perícias, a remoção dos destroços e a certificação de que o local está seguro antes de iniciar os reparos”, informou a autarquia à Agência Brasil.

Também não há uma data estimada para a reabertura da igreja, um dos principais pontos turísticos do Centro Histórico de Salvador.

Para uma segunda fase do processo, o Iphan está realizando a triagem, catalogação, higienização e proteção dos elementos artísticos que serão restaurados e remontados. Grass destacou que o órgão está revisando todos os documentos e registros relacionados à igreja desde seu tombamento, ocorrido em 1938.

A ministra Margareth Menezes reforçou o compromisso do governo com a reconstrução do templo. “Como soteropolitana, tenho um sentimento profundo pelo que aconteceu nesta igreja, que é um patrimônio tão importante para o Brasil”, declarou.

Sinal de alerta

O desabamento do teto ocorreu menos de 48 horas após um alerta da própria administração da igreja. Na segunda-feira (3), Frei Pedro Júnior Freitas da Silva, responsável pelo templo e pelo Convento de São Francisco de Assis, protocolou um pedido de avaliação de uma dilatação no forro do teto.

A vistoria foi agendada para quinta-feira (6), mas o colapso estrutural ocorreu antes da inspeção dos técnicos do Iphan. O órgão nega ter sido notificado pelos órgãos locais, como a Defesa Civil municipal e o Corpo de Bombeiros, sobre o risco iminente.

Em nota, o Iphan esclareceu que a responsabilidade pela manutenção dos bens tombados é dos proprietários. No caso da Igreja de São Francisco de Assis, a gestão cabe à Ordem Primeira de São Francisco. O instituto tem a função de fiscalizar as ações de preservação, enquanto estados, municípios e a Defesa Civil também compartilham essa responsabilidade.

Histórico

O estado de conservação da Igreja de São Francisco já havia motivado autuações anteriores. Em março de 2022, o Iphan multou a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Comunidade Franciscana da Bahia por falta de manutenção e degradação do patrimônio.

Nos últimos anos, o governo federal investiu na recuperação da igreja. Em 2023, a restauração dos painéis de azulejaria portuguesa do templo foi concluída com um investimento de R$ 4,1 milhões. Além disso, está em andamento um projeto de restauração completa da igreja e do convento, orçado em R$ 1,2 milhão.

Importância histórica

Tombada como Patrimônio Mundial da Humanidade, a Igreja e o Convento de São Francisco de Assis são um dos maiores ícones do barroco brasileiro. A construção do templo teve início no século XVII, com a pedra fundamental lançada em 1686.

O conjunto arquitetônico, localizado no Largo do Cruzeiro de São Francisco, destaca-se pela fachada barroca, esculpida em pedra calcária e arenito, e pelo interior ricamente decorado com talha dourada e painéis de azulejaria portuguesa que retratam a vida de São Francisco.

Reconhecido pela Unesco, o Centro Histórico de Salvador abriga um dos maiores acervos de arquitetura colonial do país, reforçando a necessidade de preservação do seu patrimônio.