Kelsor Fernandes critica tarifaço dos EUA e defende diálogo para evitar impactos na economia brasileira

Por Redação 30/07/2026, às 20h30 - Atualizado às 20h36

Na noite desta quinta-feira (30), durante a cerimônia de posse para o segundo mandato consecutivo à frente do Sistema Comércio Bahia, Fecomércio, Sesc e Senac, o presidente Kelsor Fernandes comentou os impactos do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para o empresário, a medida tem motivação política. “A gente vê esses movimentos muito mais pelo veio político. Nada justifica essas tarifas que os Estados Unidos vêm aplicando ao Brasil”, afirmou.

Kelsor demonstrou preocupação com os efeitos da taxação sobre a economia brasileira. Segundo ele, a medida pode comprometer as exportações, provocar aumento do desemprego e pressionar a inflação. “Isso vai impactar nas exportações, vai gerar desemprego com absoluta certeza, até que o Brasil encontre novos parceiros. Vai gerar provavelmente inflação, tanto aqui quanto nos Estados Unidos”, declarou.

O presidente da Fecomércio Bahia também avaliou que a política tarifária norte-americana acabará penalizando a própria população dos Estados Unidos. “O presidente dos Estados Unidos está penalizando a própria população, porque, a partir do momento que os produtos encarecem, quem paga é o consumidor americano”, disse. Ele ressaltou ainda que, embora alguns produtos tenham sido retirados da lista de tarifas, a economia mundial é interdependente e “todo mundo depende de todo mundo”.

Durante o discurso, Kelsor voltou a associar a decisão ao cenário político entre os dois países. “É coisa de política de governo, da coloração política no momento. Você vê que ele tenta de todas as formas interferir na política brasileira, nas eleições brasileiras”, afirmou, ao defender que as relações entre Brasil e Estados Unidos, construídas ao longo de mais de 250 anos, não justificam esse tipo de medida unilateral.

Apesar das críticas, o empresário reforçou que o diálogo deve ser priorizado para solucionar o impasse comercial. “Nós queremos diálogo o tempo todo e é isso que nós sempre fazemos. O governo vai às últimas instâncias, mas, se tiver que aplicar a reciprocidade, nós vamos concordar com o governo na sua aplicação”, concluiu, ao lembrar que o Brasil já dispõe da Lei da Reciprocidade Econômica para responder às tarifas, caso as negociações não avancem.