Um grupo de 25 cirurgiões-gerais do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, relatou ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) atrasos no pagamento de honorários e informou a intenção de deixar, de forma programada, as escalas de plantão da unidade. Segundo o conselho, os médicos afirmam ter chegado a ficar até cinco meses sem receber.
As informações foram divulgadas pelo Cremeb na sexta-feira (21), após uma reunião realizada na segunda-feira (17) entre representantes dos médicos e o conselheiro diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED), José Abelardo de Meneses. O grupo foi representado pela advogada Ana Caroline Amoedo.
De acordo com o relato apresentado ao conselho, além dos atrasos nos pagamentos, os médicos apontam redução no número de profissionais nas escalas, após o desligamento de outros plantonistas. Segundo o grupo, o cenário tem provocado sobrecarga de trabalho. Os profissionais também questionam os valores pagos pelos plantões, considerados incompatíveis com as atividades de alta complexidade realizadas na unidade.
Ainda segundo o Cremeb, os médicos afirmam que já haviam levado as reclamações à gestão do hospital, mas que não teriam obtido uma solução efetiva até o momento. “Essa é uma situação que tem preocupado muito o Cremeb, sobretudo porque as demandas relacionadas à inadimplência dos honorários médicos vêm aumentando de forma significativa. Além de prejudicar diretamente o profissional, que também tem família, compromissos e responsabilidades que dependem da sua remuneração, esse tipo de situação pode gerar desassistência à população”, afirmou José Abelardo de Meneses.
Após receber o relato, o Cremeb informou que encaminhou ofícios ao subsecretário da Saúde do Estado da Bahia, Paulo Barbosa; ao superintendente da Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS), Karlos Figueredo; e ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).
Sesab contesta relato
Em nota enviada neste sábado (22), a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirmou que o atendimento no Hospital Geral Roberto Santos segue normalmente e que a assistência aos pacientes está garantida.
Segundo a pasta, não houve solicitação formal de desligamento coletivo de médicos da unidade e as escalas de trabalho continuam organizadas para assegurar a continuidade dos serviços. A Sesab também contesta a informação sobre atrasos nos pagamentos. De acordo com a secretaria, os valores devidos aos profissionais estão sendo pagos dentro dos prazos estabelecidos nos contratos.
Sobre a remuneração dos plantões, a pasta informou que o pedido de reajuste apresentado pelos profissionais foi atendido, com um acréscimo de 30% nos valores pagos. A secretaria afirmou ainda que todos os esclarecimentos e informações relacionados ao caso já foram encaminhados formalmente ao Cremeb.