No Dia da Baiana de Acarajé, Salvador celebra tradição, ancestralidade e os sabores que marcam a identidade baiana

Por Redação 25/11/2025, às 18h07 - Atualizado às 16h29

Nesta terça-feira (25), Dia da Baiana de Acarajé, Salvador celebra não apenas um quitute, mas uma das mais fortes expressões da identidade cultural baiana. Do bolinho de feijão fradinho moído, temperado e frito no azeite de dendê fervente, nasce o acarajé, alimento, sustento e símbolo de ancestralidade. A técnica artesanal, trazida do Golfo do Benim por pessoas escravizadas, ganhou no Brasil o toque singular da baiana: a energia, a arte e o sorriso que transformam o acará africano na iguaria mais querida da Bahia.

Com pimenta, vatapá, caruru, camarão seco ou salada, o acarajé é mais que comida, é memória, história e resistência. As baianas, figuras centrais dessa tradição, carregam no tabuleiro séculos de cultura. No período colonial, eram mulheres iniciadas no candomblé, muitas Filhas de Santo dedicadas a Xangô e Iansã, que saíam à noite para vender seus quitutes e cumprir obrigações religiosas.

Até hoje, a maioria toma a rua a partir das 17h, mantendo vivo o costume. O ofício é tão marcante que foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, reconhecimento celebrado no Museu das Baianas, no Pelourinho, onde visitantes encontram adereços, artesanato, instrumentos culinários e registros da trajetória dessas mulheres que são símbolos da Bahia.

No tabuleiro, além do acarajé e do abará, podem surgir cocadas, bolinho de estudante, mingaus, pé de moleque, lelê e tantas outras delícias. Mas cada baiana tem sua marca própria e Salvador é um mapa vivo dessas diferenças. No Rio Vermelho, bairro que poderia ser chamado de “território do acarajé”, estão Cira, Regina e Glorinha, cada uma com estilo, textura e jeito de servir.

Cira, uma das mais icônicas, ganhou mais de 10 vezes o título de melhor acarajé da cidade e virou lenda no Largo da Mariquita. Regina é celebrada pelos abarás impecáveis e pelas cocadas que atraem fãs fiéis. Já Glorinha é daquelas que conhecem o cliente pelo nome, sempre com humor estampado no tabuleiro. Na Pituba, Dária e Laura mantêm há décadas um ponto concorrido, prova de que tradição também mora nas esquinas mais urbanas da cidade.

Em cada bairro, há uma história. No subúrbio, Dona Ninha transformou seu acarajé em atração turística de São Tomé de Paripe. No Centro, versões de um real se espalham pela Avenida Sete, enquanto na Liberdade e no Engenho Velho de Brotas surgem os gigantes de até um quilo. Na Feira de São Joaquim, Dona Ivete guarda seu espaço na “rua nova do acarajé”, reforçando que o sabor do dendê atravessa toda Salvador. Celebrar o Dia da Baiana é celebrar essas mulheres, guardiãs da cultura afro-baiana, empreendedoras, artistas da culinária e verdadeiros patrimônios vivos.