Um grafite exibido na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador, gerou grande repercussão nas redes sociais. A obra, de autoria do artista João Vasconcelos, apresenta uma imagem do papa Francisco sorrindo em um banquete, acompanhado de uma figura que representa o diabo. A cena é complementada por baús repletos de moedas de ouro sob a mesa.
Embora o grafite tenha sido criado há mais de um mês, a obra só ganhou destaque em 10 de dezembro, após a postagem de um professor da universidade nas redes sociais. A publicação rapidamente gerou discussões e críticas, com muitos questionando o respeito ao líder religioso.
Um dos comentários sobre a postagem expressou indignação: “Baita desrespeito a um líder religioso, sem nenhuma necessidade e com a falsa argumentação de que se trata de arte. Seria esse o principal problema social que deveria estar retratado na coluna de uma universidade pública?”
Em resposta à controvérsia, o artista João Vasconcelos publicou uma nota de esclarecimento em suas redes sociais no dia 11 de dezembro. No texto, ele pediu desculpas a quem se sentiu ofendido e explicou que a intenção da obra não era desrespeitar nenhuma crença religiosa, mas sim explorar a dualidade humana e o diálogo entre opostos.
Apesar das críticas, o grafite continua exposto na entrada do prédio da Faculdade de Comunicação da Ufba, em um local conhecido como “varandinha”, onde os estudantes se reúnem. A obra está situada em um espaço frequentemente utilizado para outros grafites.
Leia a nota de João Vasconcelos na íntegra:
“Como artista, meu objetivo sempre foi expressar sentimentos, provocar reflexõesstimular diálogos por meio da minha arte. Recentemente uma obra minha ganhou grande repercussão e gerou uma onda de polêmica e indignação, especialmente no contexto religioso. Quero aproveitar este espaço para esclarecer as minhas intenções e pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos.
A pintura em questão não foi criada com intuito de desrespeitar crenças ou promover qualquer tipo de intolerância religiosa. A ideia central era abordar a dualidade humana e o diálogo entre opostos, algo presente em muitas tradições e reflexões filosóficas. No entanto, reconheço que a forma como isso foi representado pode ter sido interpretada de maneira diversa do que eu esperava.
Lamento profundamente que a obra tenha causado dor ou desconforto. Isso jamais foi minha intenção. Eu respeito profundamente todas as religiões e as pessoas que as seguem. Entendo que certas imagens carregam significados profundos e, por isso, gostaria de me desculpar com todos que se sentiram desrespeitados ou magoados.
Recebi mensagens que me fizeram refletir e aprendi muito com toda essa situação. Quero reafirmar meu compromisso com a arte como um espaço de inclusão, respeito e construção de pontes, e não de divisão ou mágoa.
Por fim, gostaria de pedir que as discussões em torno da obra sejam feitas de forma respeitosa. Assim como a arte pode ser um ponto de partida para debates, ela também é um espaço de aprendizado para o artista. Estou ouvindo e aprendendo com vocês.
Agradeço pela compreensão e espero que possamos seguir em frente, juntos, com mais empatia e diálogo”.