O preço do café segue em alta na Bahia e em todo o Brasil e deve continuar subindo nas próximas semanas, pelo menos até o início da colheita da nova safra, prevista para abril ou maio. A expectativa foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), que aponta como principais fatores do aumento os impactos climáticos, a alta demanda global e a entrada da China como novo mercado consumidor.
A entidade prevê que os preços continuarão pressionados por mais dois ou três meses. Após esse período, pode haver uma estabilização, mas uma redução mais significativa nos valores só deve ocorrer com a chegada da safra de 2026.
O aumento do preço do café vem sendo sentido desde novembro do ano passado, não apenas no Brasil, mas em diversos países. O Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial do grão, responde por quase 40% da produção global, seguido pelo Vietnã (17%) e pela Colômbia.
Nos últimos anos, diversos fatores climáticos afetaram as lavouras brasileiras, incluindo secas prolongadas, geadas e chuvas excessivas. O fenômeno El Niño, que elevou as temperaturas e reduziu o volume de chuvas, e posteriormente o La Niña, que trouxe precipitações intensas, contribuíram para oscilações na produção.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, explicou que a atual safra terá um volume ligeiramente menor que a anterior, resultado dos últimos quatro anos de dificuldades climáticas. Com isso, os custos de produção subiram, e a indústria teve um aumento de mais de 200% nos gastos com a matéria-prima, repassando 38% desse valor ao consumidor.
Reflexo no Mercado
A alta nos preços também é impulsionada pelo mercado internacional. Na Bolsa de Nova York, os contratos de café arábica atingiram valores históricos, chegando a US$ 3,97 por libra-peso nesta quarta-feira (5).
Apesar da valorização, o setor tem esperança de que a safra deste ano traga maior equilíbrio ao mercado. Já a colheita de 2026 pode bater o recorde de 2020, quando o Brasil teve a maior produção da história. Caso isso ocorra, o aumento da oferta poderá reduzir os preços do café ao consumidor.
“A indústria ainda tem repasses a fazer devido ao custo elevado da matéria-prima. Isso significa que o consumidor ainda deve sentir aumentos no café, pelo menos até a colheita deste ano”, explicou Cardoso.
A Bahia é um dos estados brasileiros com forte tradição na produção de café, especialmente nas regiões do Oeste, Chapada Diamantina, Sudoeste e Recôncavo. O estado ocupa uma posição de destaque entre os maiores produtores do país, com grande participação no cultivo do café arábica e conilon.
Com o aumento da demanda e as dificuldades climáticas, produtores baianos também enfrentam desafios para manter os custos da lavoura sob controle. Muitos cafeicultores da região têm investido em novas tecnologias e técnicas de cultivo para minimizar os impactos climáticos e aumentar a produtividade.
De acordo com a Abic, o consumo de café no Brasil cresceu 1,11% entre novembro de 2023 e outubro de 2024. O país é o segundo maior consumidor de café do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Em 2024, os brasileiros consumiram 21,9 milhões de sacas de café, o que representa 4,1 milhões de sacas a menos do que os americanos. O levantamento aponta que, em média, cada brasileiro toma cerca de 1.430 xícaras de café por ano.
O faturamento da indústria de café torrado no mercado interno somou R$ 36,8 bilhões em 2024, representando um aumento de 60,85% em relação ao ano anterior, reflexo da alta nos preços do produto nas prateleiras.
Os cafés especiais tiveram um aumento médio de 9,8% nos preços, enquanto as categorias gourmet (16,17%), superior (34,38%) e tradicional/extraforte (39,36%) também registraram altas significativas. Até mesmo os cafés em cápsula ficaram mais caros, com aumento de 2,07%.
Nos últimos quatro anos, o custo da matéria-prima subiu 224%, enquanto o preço final do café no varejo aumentou 110%. No último ano, a variação do café torrado e moído foi de 37,4%, um aumento muito superior à média da cesta básica, que foi de 2,7%.
Perspectivas
Diante desse cenário, o consumidor baiano pode continuar enfrentando aumentos no preço do café nos próximos meses, principalmente em supermercados e cafeterias. No entanto, a expectativa do setor é de que a estabilização ocorra após a chegada da nova safra.
A partir de 2026, caso a produção volte a atingir recordes, os preços podem cair. Até lá, a recomendação é que o consumidor fique atento às variações do mercado e busque alternativas para economizar no produto que faz parte do dia a dia dos baianos.