Produtores de cacau protestam contra importação do produto na BR-101, no sul da Bahia

Por Redação 26/01/2026, às 10h13 - Atualizado às 08h33

Neste domingo (25), produtores e comerciantes de cacau do sul da Bahia realizaram uma manifestação em um trecho da BR-101, em protesto contra o crescimento das importações de cacau africano. A mobilização começou por volta das 6h, no km 106 da rodovia, na área de Itamarati, distrito de Ibirapitanga, e causou engarrafamentos em ambas as direções durante todo o dia.

O evento contou com a presença de fazendeiros, comerciantes, representantes de entidades do setor e líderes políticos regionais envolvidos na cadeia produtiva do cacau. De acordo com os organizadores, o objetivo do protesto é denunciar a queda histórica no preço do produto, situação que teria sido piorada pela chegada de cacau importado ao mercado brasileiro, o que afeta diretamente a renda dos produtores locais.

Segundo o movimento, o objetivo é alertar as autoridades sobre a crise que o campo enfrenta e a urgência de ações imediatas para o setor. Está agendado um novo protesto para a próxima quarta-feira (28), no mesmo local.

Uma das principais demandas dos produtores é a redução dos descontos considerados excessivos que as indústrias aplicam aos preços internos, baseados na Bolsa de Nova York. Eles alegam que os valores pagos atualmente estão entre os mais baixos dos últimos 20 anos. A importação de amêndoas africanas é outro aspecto criticado. De acordo com o setor produtivo, essa prática tem pressionado os preços nacionais e gerado estoques artificiais que afetam negativamente a produção local.

Os manifestantes exigem também maior equidade nas normas de classificação e logística do cacau importado, argumentando que as exigências aplicadas ao produto estrangeiro são menos rigorosas do que as exigidas para o cacau nacional. Ademais, indicam a falta de viabilidade econômica da atividade: em aproximadamente um ano, o preço da arroba teria diminuído de R$ 1.000 para cerca de R$ 250, valor que, de acordo com os produtores, não é suficiente para cobrir nem mesmo os gastos com a manutenção das fazendas.