Professores de Salvador realizam nova assembleia para decidir rumos da greve, que já dura mais de dois meses

Por Redação 14/07/2025, às 12h53 - Atualizado às 12h53

Os professores da rede municipal de ensino de Salvador realizaram, na manhã desta segunda-feira (14), uma nova assembleia no Ginásio dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos, para avaliar os próximos passos da greve iniciada no dia 6 de maio. A paralisação já ultrapassa dois meses e tem impactado cerca de 91 escolas e milhares de estudantes da capital baiana.

A principal reivindicação da categoria é o pagamento integral do piso nacional do magistério, além de melhores condições de trabalho. Segundo a APLB-Sindicato, entidade que representa os docentes, também estão em pauta a valorização da carreira e benefícios como gratificações e ajuda de custo para atuação em áreas específicas.

Durante a assembleia, o presidente da APLB, Rui Oliveira, relatou que se reuniu na última quinta-feira (10), em Brasília, com o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e deputados da bancada baiana para tratar da paralisação. Segundo ele, o gestor demonstrou disposição para negociar, desde que as propostas da categoria estejam formalmente apresentadas e dentro dos limites orçamentários do município.

“Disse que não se opõe a sentar para discutir a proposta, inclusive o parcelamento das reivindicações. Mas quer que tudo seja enviado por escrito para instalação de uma mesa de negociação”, afirmou Oliveira.

A proposta construída pelo comando de greve será votada pela assembleia e, se aprovada, encaminhada à Prefeitura.

Posicionamento da Prefeitura

Em nota divulgada na última quinta-feira (10), a Prefeitura de Salvador informou que cerca de 78% das 412 escolas da rede municipal já retomaram suas atividades. A gestão municipal reforça o apelo pelo fim da greve e destaca que a campanha salarial de 2025 garantiu reajustes de 9% a 18%, acima do índice de 6,27% fixado para o piso nacional do magistério, que hoje é de R$ 4.867,77.

Ainda segundo a Prefeitura, nenhuma remuneração está abaixo do piso e não haverá redução de vencimentos. Entre os pontos negociados com a categoria estão a atualização de gratificações, criação de novas vagas por titulação, ajuda de custo para atuação em áreas específicas e a possibilidade futura de converter a licença-prêmio em pecúnia.

A administração municipal informa que não haverá novas rodadas de negociação enquanto a greve permanecer, por entender que os avanços já oferecidos atendem aos limites legais e fiscais. A Prefeitura também destaca decisões judiciais que decretaram a ilegalidade da greve desde 7 de maio, inclusive com sentença do Supremo Tribunal Federal (STF).