Uma das esculturas mais conhecidas da capital baiana, as “Gordinhas de Ondina” — oficialmente intitulada “Meninas do Brasil”, de autoria da artista Eliana Kertész — foi alvo de vandalismo. A obra, localizada em área pública e considerada parte do patrimônio artístico da cidade, amanheceu nesta terça (29) com pichações, incluindo a inscrição “Tenho Fome”.
A redação entrou em contato com a Prefeitura de Salvador para saber quais medidas estão sendo adotadas: se há investigação sobre os responsáveis, se a obra será restaurada e qual o papel da Guarda Municipal na proteção desses espaços culturais. Até o momento, não houve retorno.
O episódio reabre discussões sobre o cuidado com o patrimônio público e, paralelamente, lança luz sobre uma outra urgência: o crescimento da população em situação de rua na Bahia. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o número de famílias vivendo nas ruas do estado saltou de 4.289 em 2020 para 14.705 em 2024 — um aumento de mais de 240%.
A pasta federal aponta que os números anteriores podem estar subnotificados, devido ao desmonte nos processos de coleta e atualização dos dados. A maioria das pessoas em situação de rua vive sob viadutos, em praças e em locais públicos, como as próprias regiões onde se concentram obras de arte e monumentos.
Nota de SEMAN
A Secretaria de Manutenção da Cidade (SEMAN) informa que estará realizando, com brevidade, vistoria para programar a limpeza da pichação feita no monumento das gordinhas, em Ondina. Ressaltamos que pichação é crime. A Prefeitura tem um prejuízo mensal de cerca de 45 mil reais para a retirada de pichações e outros vandalismos.