Rua Chile recebe intervenção artística com personagens do imaginário de Salvador

Por Redação 08/09/2025, às 20h01 - Atualizado às 18h51

A Rua Chile, conhecida como a primeira rua do Brasil, localizada no Centro Histórico de Salvador, recebe uma intervenção artística idealizada pelo artista visual KMJ Graffiti, em parceria com outros artistas locais. A obra integra uma ação de valorização da memória cultural e visual da capital baiana, que retrata a Rua Chile nos anos 1950, época em que o local era referência de efervescência comercial, social e cultural da cidade.

Celebrando figuras do imaginário baiano que atravessaram décadas, a intervenção retrata a Mulher de Roxo, personagem misteriosa que circulava pelas ruas de Salvador vestida inteiramente de roxo, despertando curiosidade e respeito. Enigmática, sua figura tornou-se símbolo da cidade, envolta em lendas e suposições, e agora é eternizada no mural como testemunha silenciosa de um tempo que ainda ecoa.

Além dela, a homenagem se estende ao Guarda Pelé, figura carismática e respeitada, que simboliza a vida cotidiana da Salvador de outros tempos. Marcada por personagens que, mesmo sem cargos oficiais de poder, tornaram-se referências da paisagem urbana.

Segundo a titular da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), a vice-prefeita Ana Paula Matos, a obra evidencia Salvador como uma cidade viva e que mantém diálogo com sua herança cultural. “Mais do que uma homenagem, a iniciativa reafirma Salvador como uma cidade viva, que mantém diálogo constante com sua herança cultural. É um convite à memória, à identidade e à continuidade. Um lembrete de que a cidade é feita de pessoas, de histórias e de símbolos que resistem ao tempo”, afirmou. 

Para o diretor de Qualificação e Promoção do Turismo da Secult, Gegê Magalhães, a intervenção é um convite para que moradores e visitantes redescubram Salvador a partir da sua própria história: “Ao retratar personagens e espaços que marcaram nossa memória coletiva, reafirmamos a cidade como um destino que valoriza sua identidade cultural, ao mesmo tempo em que se projeta para o futuro. O turismo que queremos construir é esse: vivo, humano e em permanente diálogo com nossas raízes”, disse. 

Com forte apelo visual e simbólico, a obra traz ainda a imagem de uma criança no presente que observa o passado através de uma moldura, sugerindo um olhar contemplativo, mas também esperançoso, o que traduz a alma do projeto: criar um elo entre gerações.