Vacinação contra gripe tem baixa adesão na Bahia

Por Redação 21/07/2025, às 07h35 - Atualizado às 07h37

Quatro meses após o início da campanha nacional de vacinação contra a gripe, apenas 38% do público-alvo foi imunizado na Bahia até o último domingo (20). Em Salvador, a taxa é ainda menor: 36,92%, segundo dados da Rede Nacional de Dados em Saúde. A situação não é exclusiva da Bahia, em todo o país, a cobertura vacinal também não passa de 44,92%.

Inicialmente voltada a idosos, crianças e gestantes, a campanha foi ampliada pelo Ministério da Saúde, em maio, para toda a população a partir dos seis meses de idade. Mesmo assim, a baixa procura tem gerado preocupação. “Esse número realmente é muito baixo. Nossa meta seria vacinar, pelo menos, 90% dos públicos prioritários”, afirma Vânia Rebouças, coordenadora do Programa Estadual de Imunização da Bahia.

Entre os municípios baianos, os melhores índices são de Érico Cardoso (71,21%), Abaré (76,33%) e Dom Basílio (73,13%). Por outro lado, as menores coberturas estão em Mata de São João (11,4%), São Gonçalo dos Campos (14,37%) e Queimadas (16,19%). Das mais de 5 milhões de doses enviadas aos 417 municípios do estado, apenas 2,6 milhões foram aplicadas.

O grupo com maior adesão é o de crianças, com pouco mais de 40% vacinadas, seguido por idosos (37,61%). As gestantes registram a menor cobertura, com apenas 22,38%. “É fundamental vacinar os extremos de idade, pois são os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença. A vacina é a principal forma de reduzir internações e óbitos por Influenza, que é a principal causa da SRAG”, explica Rebouças.

Na capital baiana, a subcoordenadora de imunização da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Taciana Matos, também destaca a baixa adesão. Até o momento, crianças são as menos vacinadas (35%), seguidas por idosos (37,14%) e gestantes (45,44%).

Com a ampliação da campanha, Salvador teria como meta vacinar até 2 milhões de pessoas. No entanto, o comparecimento aos postos tem sido inferior ao registrado em campanhas anteriores. “Em 2025, temos uma adesão muito baixa, inclusive entre os grupos prioritários. Crianças e idosos representam 70% das internações por SRAG em Salvador. Eles deveriam já estar protegidos neste período do ano”, ressalta Taciana.

Até a semana passada, Salvador registrou 2.511 internações por SRAG — número superior ao mesmo período de 2024 (2.415). Desses casos, 59% (1.480) são de crianças e 17% (421), de idosos.

Para especialistas, a baixa adesão tem múltiplas causas. Uma delas é a falsa sensação de segurança. “Salvador não entrou em estado de emergência, como aconteceu em outros estados. Isso faz com que as pessoas acreditem, erroneamente, que estão protegidas”, explica Taciana Matos.

Outro fator é a chamada hesitação vacinal, intensificada após a pandemia da covid-19. “Fake news e desinformação contribuíram para que parte da população não priorize a vacinação. Com coberturas baixas, aumentam os riscos de agravamento da Influenza”, alerta Vânia Rebouças.

Como resposta, as autoridades de saúde têm reforçado estratégias de busca ativa, principalmente entre os públicos que dependem de terceiros para se deslocar aos postos. Entre as ações adotadas estão a realização de campanhas fora das unidades básicas de saúde, os chamados mutirões “extra-muro”, além de horários estendidos e os “Dias D” de vacinação, geralmente aos sábados.