Dias de jogos de futebol registram alta de até 47% em casos de violência contra mulheres

Por Redação 11/08/2026, às 19h00 - Atualizado às 17h41

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) identificou aumento nos registros de violência contra mulheres em dias de partidas de futebol no Brasil. A segunda edição do estudo “Futebol e Violência Contra a Mulher”, com dados de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre entre 2023 e 2025, aponta que os registros de ameaças cresceram 27,4%, enquanto os casos de lesão corporal dolosa tiveram alta de 28,8% nessas datas.

O impacto é ainda maior entre mulheres de 15 a 29 anos. Segundo o levantamento, os registros de ameaças e lesões corporais contra esse grupo aumentam 44,4% em dias de jogos. Quando consideradas especificamente as ameaças ocorridas dentro das residências, a alta chega a 47,3%, indicando uma relação entre o calendário esportivo e a intensificação de episódios de violência no ambiente doméstico.

De acordo com o estudo, o futebol não é apontado como causa direta da violência, mas pode funcionar como um catalisador de conflitos e de relações desiguais de poder já existentes. As estimativas apresentaram resultados estatisticamente significativos para ocorrências dentro das residências, reforçando a hipótese de que os dias de partidas podem atuar como momentos de maior risco para a violência doméstica.

O levantamento também identificou diferenças nos registros conforme o recorte racial. Entre mulheres negras, houve aumento de 14,6% nas ameaças e de 23,2% nas lesões corporais. Entre mulheres brancas, as altas foram de 30,9% e 36,2%, respectivamente. O estudo aponta que a diferença percentual pode estar relacionada a diferentes níveis de exposição aos contextos de lazer ligados ao futebol e às características estruturais da violência enfrentada por cada grupo.

Além do calendário de jogos, a pesquisa destaca fatores que podem potencializar conflitos, como o consumo abusivo de álcool, a expansão das apostas esportivas e padrões de masculinidade associados à dominação, virilidade e rivalidade. Em comparação com a primeira edição do estudo, baseada em dados de 2015 a 2018, a pesquisa de 2026 aponta uma intensificação dos casos de lesão corporal, indicando maior presença da violência física nos episódios registrados em dias de partidas.