Em mês mais violento do ano, polícia bate recorde de apreensões

Por Redação 03/11/2024, às 14h25 - Atualizado às 16h32

Na guerra contra a criminalidade que aterroriza a população da Bahia, as forças de segurança têm conseguido resultados significativos. Para as autoridades que combatem a crime, o mês de outubro foi de longe o mais desafiador, principalmente na capital. Ao mesmo tempo, se destacou como um período recorde em apreensões de armas, drogas e na captura de indivíduos altamente perigosos.

De acordo com dados obtidos com exclusividade pelo Taktá através de fontes ligadas à Secretaria de Segurança Pública, apenas no mês de outubro foram apreendidos sete fuzis, 1,5 tonelada de drogas e 600 armas de fogo. Além disso, foram realizadas 1500 prisões em flagrante.

A SSP também comemora o alcance de criminosos de alto grau de periculosidade, principalmente na última semana do mês.

– “Mickey”, liderança do tráfico no Bairro da Paz, morreu em troca de tiros com a Rondesp Atlântico no dia 25 de outubro;

– “Buel”, conhecido como “Rei de Copas” do Baralho do Crime, foi preso pela polícia no bairro de Tancredo Neves no dia 25 de outubro;

– Luís Fernando Umbelino dos Santos, “Tonelada”, operador logístico de facção criminosa, morreu em confronto com a polícia no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, no dia 31 de outubro.

“Houve uma onda de violência em função da guerra de facções que nos chamou atenção e nos levou a adotar medidas enérgicas. A gente não vai deixar o Estado ser subjugado por criminosos que adotam a política do terror e do medo”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner em entrevista exclusiva ao TakTá.

Para o secretário, o controle da criminalidade só é possível articulando inteligência, integração das forças e investimentos. “A gente tem que trabalhar na prisão e na descapitalização de lideranças. Temos investido cada vez mais em polícia judiciária, em capacitação para o combate especifico para essa natureza, investimentos em softwares, perícia”, complementa.

Na mesma linha de trabalho, a delegada-geral da Polícia Civil, Heloisa Brito, defende que não basta prender bandidos. “Temos que olhar o judiciário. As cautelares. Tudo isso traz impactos. É preciso prender o indivíduo e tratar das outras etapas, como bloquear bens que financiam as organizações criminosas, porque o crime organizado busca tornar esse dinheiro ilegal lícito. Enquanto o dinheiro estiver transitando, as armas apreendidas continuam sendo substituídas de forma muito rápida”, afirma.

Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Paulo Coutinho, reforça que o judiciário muitas vezes se apresenta como um desafio ao trabalho da polícia.

“Ele (o bandido) sabe que vai ser preso com arma, com um fuzil ou grande quantidade de drogas e logo depois vai estar solto nas ruas. Existe uma legislação que precisa ser revista nesse país. E, sobretudo, essa parceria entre executivo e judiciário, para colocar o criminoso no seu devido lugar”.

Coutinho acredita que o endurecimento das penas pode ser uma solução para combater a criminalidade. “A polícia militar tem prendido muito e tem levado para a audiência de custodia. Mas o que tem acontecido é a reincidência. Os parlamentares têm que endurecer as penas para intimidar o crime”.