Funcionária é presa suspeita comandar esquema de Pix para desviar R$ 2,9 milhões de cinco empresas

Por Redação 27/08/2026, às 10h49 - Atualizado às 10h50

Uma funcionária de 26 anos foi presa preventivamente nesta quinta-feira (27) durante a Operação Fluxo Oculto, que investiga um esquema de desvio de dinheiro de cinco empresas dos setores de construção civil e incorporação imobiliária, em Salvador e Itaberaba. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo provocado pelas fraudes chega a mais de R$ 2,9 milhões.

A suspeita é apontada como responsável por manipular pagamentos feitos pelas empresas por meio do Pix. De acordo com as investigações, ela inseria nos comprovantes e ordens de pagamento o nome de fornecedores que realmente prestavam serviços às empresas, mas direcionava o dinheiro para contas bancárias de terceiros ligados a ela, incluindo a própria mãe e o companheiro.

As fraudes teriam ocorrido entre abril de 2025 e maio de 2026. Nesse período, os investigadores identificaram cerca de 386 transações consideradas suspeitas.

Para conseguir que os pagamentos fossem autorizados rapidamente, a funcionária teria usado a posição que ocupava dentro das empresas para criar situações de aparente urgência. Conforme a investigação, ela alegava a existência de possíveis multas ou outros riscos financeiros caso determinadas transferências não fossem realizadas com rapidez, o que teria ajudado a evitar uma fiscalização mais detalhada dos sócios.

Dinheiro desviado para familiares

A apuração aponta que o esquema funcionava a partir da manipulação das ordens bancárias. Embora os beneficiários apresentados fossem fornecedores conhecidos das empresas, as contas efetivamente utilizadas para receber os valores pertenciam a pessoas relacionadas à investigada. A Polícia Civil também apura se outros beneficiários participaram do esquema e qual teria sido o caminho percorrido pelo dinheiro depois dos depósitos. A investigação inclui ainda suspeitas de lavagem dos valores desviados.

Além da prisão preventiva da principal investigada, a operação cumpriu ainda três mandados de medidas cautelares diversas da prisão e três mandados de busca e apreensão em Salvador e Itaberaba. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, cartões bancários vinculados a diferentes contas, equipamentos eletrônicos e dois veículos.

Os investigadores também trabalham para bloquear bens e valores dos suspeitos. A medida busca preservar recursos que possam ser usados posteriormente para ressarcir as cinco empresas atingidas. A Polícia Civil informou que o inquérito continua para identificar outros possíveis envolvidos, aprofundar a apuração sobre a lavagem do dinheiro e localizar ativos relacionados aos desvios.

A Operação Fluxo Oculto foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), com participação de cinco equipes do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC).