O Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1) determinou nesta semana a soltura de 11 dos 16 presos da Operação Overclean, ação que revelou um esquema de desvios milionários envolvendo empresários e servidores públicos. O grupo é acusado de manipular recursos provenientes de emendas parlamentares por meio de fraudes em licitações.
Os liberados, que incluem nomes de destaque como Alex Rezende Parente, apontado como líder do esquema, e Lucas Maciel Lobão Vieira, ex-coordenador do DNOCS na Bahia, deverão usar tornozeleiras eletrônicas como medida cautelar. O TRF não divulgou detalhes adicionais sobre os motivos que embasaram a decisão.
A Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, já apreendeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie, além de 23 veículos de luxo, três aeronaves, três barcos e seis imóveis de alto padrão. Relógios avaliados em até R$ 800 mil e joias também foram confiscados. O total de valores bloqueados em processos chega a R$ 162 milhões.
Investigação
De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa desviava recursos públicos por meio de contratos superfaturados, utilizando empresas de fachada e intermediários para dificultar o rastreamento do dinheiro. O esquema teria movimentado R$ 1,4 bilhão desde 2021, envolvendo políticos e empresários com atuação em diferentes estados, como Bahia, São Paulo e Goiás.
Entre os principais acusados estão:
- Alex Rezende Parente: Líder do esquema, ele coordenava negociações com servidores e organizava fraudes em contratos.
- Lucas Maciel Lobão Vieira: Atuava nos bastidores favorecendo empresas envolvidas no esquema.
- José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”: Suspeito de prospectar contratos e subornar servidores públicos.
Os 11 detidos ouvidos na segunda-feira (16), na sede da PF em Salvador, preferiram não prestar depoimentos, mantendo silêncio. A Polícia Federal segue apurando o caso e analisando documentos e evidências recolhidos.
A investigação resultou em exonerações em prefeituras da Bahia, incluindo Salvador e Jequié. As administrações locais anunciaram a abertura de sindicâncias internas para apurar possíveis danos ao erário.
Defesa dos envolvidos
Os advogados dos principais acusados alegaram falta de acesso completo aos autos e afirmaram que esclarecerão os fatos durante o processo judicial. Já as prefeituras mencionadas na investigação se colocaram à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos.
A Operação Overclean continua em andamento, e novos desdobramentos podem trazer à tona mais detalhes sobre o esquema que teria desviado milhões em recursos públicos.