Operação investiga grupo que usava redes sociais para vender drogas a clientes de alto poder aquisitivo na Bahia

Por Redação 24/09/2026, às 07h10 - Atualizado às 07h07

Uma investigação da Polícia Civil da Bahia identificou uma estrutura suspeita de tráfico de drogas que teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões em 16,6 mil transações bancárias. O grupo é alvo da Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24), com mandados cumpridos em cidades da Bahia e de Sergipe.

Segundo a investigação, o esquema era direcionado a consumidores de alto poder aquisitivo e utilizava as redes sociais para negociar os entorpecentes. Entre os supostos compradores identificados pelos investigadores estão médicos, empresários, advogados e outros profissionais.

A operação ocorre em Salvador, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju, em Sergipe. O Instagram teria sido utilizado como principal ferramenta para estabelecer contato com os clientes. Os pedidos eram encaminhados por mensagens privadas e os pagamentos realizados, em sua maioria, por Pix.

Drogas eram apresentadas como produtos diferenciados

A investigação aponta que os entorpecentes recebiam denominações como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. Segundo a Polícia Civil, este último nome estaria relacionado a variedades importadas de cannabis.

Os produtos seriam comercializados por valores superiores aos praticados no mercado ilícito convencional e entregues em pontos previamente combinados. Ainda conforme a apuração, as embalagens utilizadas não traziam identificação sobre o conteúdo.

Além da forma de comercialização, os investigadores apontam que integrantes do grupo mantinham um padrão de vida elevado. Eles seriam apresentados como empresários, viveriam em imóveis de alto padrão e utilizariam veículos de luxo.

Investigação identificou movimentação milionária

A apuração financeira reuniu informações sobre mais de R$ 9,6 milhões movimentados em mais de 16,6 mil operações bancárias envolvendo os investigados e pessoas apontadas como participantes da circulação dos valores.

Com base nas informações levantadas, a Justiça determinou o bloqueio de 20 contas bancárias, sendo 15 vinculadas a pessoas físicas e cinco a empresas. Também foram determinadas medidas para impedir a movimentação ou utilização de veículos e outros bens relacionados à investigação.

A Polícia Civil também investiga a origem dos entorpecentes comercializados pelo grupo. Parte do abastecimento teria sido realizada por um fornecedor localizado em São Paulo, que enviaria grandes quantidades de drogas para distribuição na Bahia e em Sergipe.

Os investigadores também encontraram informações sobre entorpecentes provenientes do Paraguai. Segundo a apuração, parte desse material seria transportada de forma camuflada junto a produtos de beleza.

Caso surgiu a partir de investigação anterior

A Operação Iceberg começou a ser estruturada a partir de informações obtidas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Durante a apuração anterior, policiais encontraram dados em um perfil de rede social que abriram uma nova frente de investigação. A análise desse material apontou possíveis indícios de comercialização de drogas e levou os investigadores a aprofundarem as diligências até chegar à estrutura investigada na Operação Iceberg.

A ação desta quinta-feira é coordenada pelo DHPP e reúne equipes do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e Departamento de Polícia Técnica (DPT).

As informações sobre o funcionamento do esquema, a movimentação financeira e a participação dos investigados são baseadas na apuração da Polícia Civil e nas medidas judiciais determinadas durante a operação.