Por Julia Lima
Daqui a um pouco mais de um mês, eleitores de todo o país vão às urnas para escolher os ocupantes de 54 das 81 cadeiras no Senado Federal pelos próximos oito anos. Dentre eles, 32 são senadores em exercício que tentarão a reeleição, como é o caso de Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (Republicanos).
Nas eleições de 2026, cada estado e Distrito Federal poderão eleger dois senadores para um mandato de oito anos. Na disputa para compor o Senado pela Bahia, 10 políticos tentarão conquistar os cargos. Angelo Coronel (Republicanos), Jaques Wagner (PT), Rui Costa (PT), Delliana Ricelli (PSOL), Gregório Gould (UP), João Roma (PL), Marcelo Carvalho (Rede), Marcelo Santtana (DC), Carlos Sodré (Mobiliza) e Marcelo Millet (PCO).
O compromisso com o Estado
Criar e revisar leis, julgar e aprovar autoridades, definir limites de dívidas e revisar leis são algumas das funções de quem ocupa o cargo de Senador no Congresso Nacional. Ou seja, eles são parte importante do Legislativo, sendo considerados a Câmara Alta do Poder, com função de representar não somente o seu estado, mas também o Distrito Federal.
A atuação do Senado pode se concluir de forma exclusiva, ou de modo a dar continuidade a um projeto já discutido na Câmara dos Deputados, atuando como casa revisora e servindo de ponte entre estado e federação. No entanto, apesar do peso de sua representatividade, pouco se discute a importância de fazer na urna uma escolha coerente ao cargo a ser ocupado.
Diante disso, na tentativa de ajudar o eleitor a conhecer um pouco mais das diferentes opções de voto, o Taktá fez uma lista apresentando cada um dos candidatos ao Senado pelo estado baiano. Confira:
Angelo Coronel (Republicanos)
Natural de Coração de Maria (BA), Angelo Mario Coronel de Azevedo Martins tem 68 anos, é engenheiro civil e empresário. Sua carreira política começou em 1988, quando foi eleito prefeito do município onde nasceu. Antes dele, seu avô também havia ocupado o cargo de prefeito da cidade. Em 1994, conquistou seu primeiro mandato como deputado estadual. Quatro anos depois, tentou a reeleição e ficou como primeiro suplente do Partido Liberal (PL), assumindo a vaga entre 2001 e 2002. Voltou à Assembleia Legislativa em 2010 e foi reeleito em 2014. Em 2017, presidiu a Casa. No ano seguinte, foi eleito senador.
Em 2026, Angelo Coronel disputará novamente uma vaga no Senado pela Bahia.
Jaques Wagner (PT)
Nascido no Rio de Janeiro, Jaques Wagner tem 75 anos e entrou na vida política em 1969, durante sua atuação no movimento estudantil. Perseguido pela ditadura militar, deixou o curso de engenharia civil na capital fluminense e se mudou para a Bahia. Na década de 1980, participou da criação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado. Técnico do setor petroquímico, presidiu o sindicato da categoria entre 1987 e 1989.
Foi eleito deputado federal em 1990, 1994 e 1998. Em 2000, concorreu à Prefeitura de Camaçari (BA) e, em 2002, disputou o governo da Bahia, terminando em segundo lugar em ambas as eleições. Durante o primeiro mandato de Lula, esteve à frente do Ministério do Trabalho, da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) e da Secretaria de Relações Institucionais. Em 2006, foi eleito governador da Bahia e conquistou a reeleição em 2010.
Na administração de Dilma Rousseff, comandou os ministérios da Defesa e da Casa Civil, além do gabinete pessoal da Presidência da República. Em 2018, foi o senador mais votado pela Bahia e atualmente exerce a liderança do governo no Senado. Em junho de 2026, foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada a investigações envolvendo o Banco Master. Nesta eleição, tenta a reeleição para o Senado pela Bahia.
Carlos Sodré (Mobiliza)
Advogado e natural de Itapé, no sul da Bahia, Carlos Sodré tem atuação na política partidária e já ocupou o cargo de subsecretário do governo baiano. Também concorreu à Prefeitura de Itapé, sua cidade de origem, mas não venceu. Em 2026, será candidato ao Senado pela Bahia, defendendo uma maior participação política e representatividade para a região sul do estado.
Delliana Ricelli (PSOL)
Delliana Ricelli Ribeiro da Silva tem 43 anos e nasceu em Ubaitaba (BA). Graduada em filosofia e mestre em letras, trabalha como professora do Ensino Médio. Em 2024, tentou disputar uma cadeira na Câmara Municipal de Itabuna. A candidatura, porém, foi indeferida pela Justiça Eleitoral em razão de problemas relacionados ao registro da federação partidária. Em 2026, Professora Delliana concorrerá ao Senado pela Bahia.
Gregório Gould (UP)
Gregório Gould participou da criação da Unidade Popular (UP) na Bahia e está entre os fundadores da legenda no estado. Militante comunista, sua atuação política começou na diretoria executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), no Rio de Janeiro. Também criou a Associação Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (AERJ), entidade que presidiu. Além da militância política, Gregório é escritor. Entre seus trabalhos está o livro “A Esperança Nasce na Avenida Sete”, escrito em coautoria e dedicado à experiência das famílias da Ocupação Carlos Marighella, em Salvador, durante a crise sanitária da Covid-19. Em 2026, disputa uma vaga de senador pela Bahia.
João Roma (PL)
Natural do Recife, João Inácio Ribeiro Roma Neto tem 53 anos, é bacharel em Direito e empresário. Iniciou sua trajetória política em 1993, na ala jovem do Partido da Frente Liberal (PFL), seguindo a atuação política do avô, que foi deputado federal por Pernambuco entre 1959 e 1971. Entre 1991 e 1994, trabalhou como assessor do governo de Pernambuco. Depois, mudou-se para Brasília e atuou no Ministério da Administração de 1995 a 1998. De 1999 a 2002, foi delegado regional do Ministério da Cultura para o Nordeste.
Posteriormente, comandou o escritório da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em Salvador, entre 2002 e 2004. De 2013 a 2018, chefiou o gabinete da Prefeitura de Salvador durante a gestão de ACM Neto. Em 2018, foi eleito deputado federal pela Bahia. Em 2021, deixou temporariamente a Câmara para assumir o Ministério da Cidadania no governo Jair Bolsonaro. No ano seguinte, saiu do cargo para disputar o governo da Bahia, terminando a eleição em terceiro lugar no primeiro turno. Atualmente, preside o Partido Liberal (PL) na Bahia e é candidato ao Senado pelo estado.
Marcelo Carvalho (Rede)
Natural de João Pinheiro (MG), Marcelo Carvalho é professor do Ensino Médio, formado em Filosofia. Também atua no movimento sindical e preside a União Geral dos Trabalhadores (UGT) na Bahia. Na política partidária, é porta-voz da Rede Sustentabilidade na Bahia e coordenador nacional de movimentos sociais da legenda. Em 2020, concorreu a vereador de Salvador, mas não foi eleito. Em 2024, voltou a disputar uma vaga e foi eleito suplente de vereador na capital baiana. Em 2026, será candidato ao Senado pela Bahia.
Marcelo Millet (PCO)
Aos 40 anos, Marcelo Millet é motorista de aplicativo e nasceu em Salvador. Participou de mobilizações contra a prisão de Lula e também do movimento Fora Bolsonaro na Bahia. Já concorreu ao cargo de vice-prefeito de Salvador, em 2020, e disputou o governo da Bahia, em 2022, sem conseguir se eleger. Em 2026, será candidato ao Senado pelo estado.
Marcelo Santtana (DC)
Nascido em Salvador, Marcelino José Guimarães Santana tem 68 anos e é advogado. Ao longo da carreira eleitoral, utilizou diferentes formas para seu nome de urna. Em 2018, como Marcelo Santana, concorreu a deputado federal. Em 2020, passou a utilizar Marcelo Santtana e disputou a Prefeitura de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Dois anos depois, voltou a assinar como Marcelo Santana para concorrer à Câmara dos Deputados. Em 2024, novamente disputou uma vaga no Legislativo municipal de Lauro de Freitas.
Para 2026, adotou novamente o nome Marcelo Santtana e será candidato ao Senado pela Bahia.
Rui Costa (PT)
Natural de Salvador, Rui Costa dos Santos tem 63 anos e é economista. Foi eleito vereador da capital baiana duas vezes, permanecendo no cargo entre 2000 e 2008. Entre 2007 e 2010, comandou a Secretaria de Relações Institucionais da Bahia durante o governo de Jaques Wagner. Em 2010, foi eleito deputado estadual. Durante o mandato, licenciou-se para assumir a Casa Civil do estado, também na gestão de Wagner. Em 2014, foi eleito governador da Bahia e conquistou um segundo mandato em 2018. Nas duas disputas, venceu ainda no primeiro turno e permaneceu à frente do Executivo estadual até 2022.
Após deixar o governo baiano, Rui Costa assumiu o Ministério da Casa Civil durante o governo Lula, função que deixou em março. Em 2026, será candidato ao Senado pela Bahia.