Por Záfya Tomaz
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto voltou a criticar a política de progressão escolar adotada pelo governo da Bahia e afirmou que, caso seja eleito governador, pretende revogar a medida logo no início de uma eventual gestão.
Durante agenda política, Neto atacou a Portaria nº 190/2024, publicada pela Secretaria da Educação da Bahia no início de 2024, que trata do regime de progressão dos estudantes da rede estadual. A norma gerou discussões à época por, segundo críticos, possibilitar a chamada aprovação automática dos alunos. “Caso Deus me dê a oportunidade de ser governador, a primeira medida, logo no primeiro dia de governo, que eu vou fazer é revogar o decreto do governador Jerônimo Rodrigues que instituiu a aprovação automática aqui na Bahia”, declarou.
O ex-prefeito classificou a medida como prejudicial ao aprendizado e às famílias dos estudantes. “A aprovação automática é um crime. A aprovação automática é uma agressão contra os alunos e contra as suas famílias”, afirmou.
Durante o discurso, ACM Neto também acusou o governo estadual de utilizar a política de progressão para melhorar artificialmente os indicadores educacionais. “O governador fez tudo isso apenas com o propósito de maquiar a nota do IDEB. Afinal de contas, a Bahia ocupa uma das piores posições do Brasil em qualidade de ensino”, disse.
Segundo ele, eventuais avanços nos índices não refletiriam necessariamente uma melhora efetiva da aprendizagem dos estudantes. “Como este ano haverá a divulgação de mais uma nota, ele vai querer dizer que a Bahia melhorou. Não melhorou nada. Essa é uma medida completamente artificial e inconsistente”, criticou.
O ex-prefeito ainda defendeu a importância da avaliação periódica dos estudantes e voltou a questionar o modelo adotado pela rede estadual.
“A melhor forma de saber se o aluno aprendeu de verdade é avaliando. A escola que aprova automaticamente traz um completo desestímulo ao estudo. O aluno fica sem nenhum propósito, sem nenhum objetivo e nem meta”, afirmou.
A Portaria nº 190/2024 gerou debates desde sua publicação. Enquanto opositores apontam que a medida flexibiliza excessivamente os critérios de aprovação, o governo da Bahia sustenta que o modelo busca fortalecer o acompanhamento pedagógico dos estudantes, reduzir a evasão escolar e garantir a continuidade do processo de aprendizagem.