Alckmin fala com secretário dos EUA sobre tarifas e defende negociação

Por Redação 25/07/2025, às 01h04 - Atualizado 24/07/2025 às 21h42

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, revelou nesta quinta-feira (24) que manteve, no último sábado (19), uma conversa telefônica com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, para tratar da imposição de tarifas de importação contra produtos brasileiros. Este foi o primeiro contato direto entre altos representantes dos dois países desde o anúncio da medida pelo presidente norte-americano Donald Trump, há duas semanas.

Segundo Alckmin, a conversa foi “longa e importante”, com foco na busca de uma solução negociada. “Colocamos todos os pontos e destacamos o interesse do Brasil na negociação”, disse o vice-presidente. Ele ressaltou ainda que a orientação do presidente Lula é evitar contaminações políticas ou ideológicas, concentrando-se na resolução prática do conflito comercial.

“Em vez de termos um perde-perde, com inflação nos Estados Unidos e queda nas nossas exportações, queremos inverter essa lógica, aprofundar a complementaridade econômica, ampliar investimentos recíprocos, discutir não bitributação e avançar numa agenda extremamente positiva”, completou Alckmin.

O vice-presidente evitou detalhar a reação do governo norte-americano, mas classificou o diálogo como positivo. “Foi uma conversa boa, durou quase 50 minutos. Agora vamos aguardar. São conversas institucionais, que devem ser reservadas, mas tivemos sim esse contato, e essa é a disposição do governo brasileiro”, afirmou.

Alckmin coordena o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado para preparar uma resposta à tarifa norte-americana, que está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Desde a semana passada, ele tem se reunido com setores impactados, como a indústria, o agronegócio e fabricantes de armas e munições — entre eles, representantes da Fiemg, Taurus Armas e a Aniam.

Em paralelo, o Brasil tem defendido na Organização Mundial do Comércio (OMC) que sanções comerciais não devem ser usadas como instrumento político. O governo brasileiro também reagiu à carta enviada por Trump ao presidente Lula no início de julho, em que o norte-americano cita o ex-presidente Jair Bolsonaro — réu por tentativa de golpe — e pede sua anistia como parte da justificativa para as tarifas.

O presidente Lula já declarou publicamente que o Brasil adotará medidas de reciprocidade caso os EUA mantenham as tarifas, mas nenhuma ação concreta foi anunciada até o momento. A expectativa é que eventuais contramedidas sejam definidas após a efetivação da medida norte-americana.